De Vilatuerta a Villamayor de Monjardín (14Km)

3
476

126km percorridos
687km para Santiago

O corpo despertou para um dia de “greve”. As consequências da forte estirada que nos levou de Pamplona a Puente La Reina já se haviam feito sentir no final da etapa anterior e continuavam bem presentes pela matina. A noite de repouso não tinha sido suficiente para debelar as inflamações musculares e o corpo recusava-se a andar. Escutamos com atenção o seu queixume mas não lhe demos o dia de descanso que ele nos pedia. Optamos sim por fazer uma etapa mais curta e prometemos dar-lhe um dia de descanso quando atingíssemos Logroño, que dista 55kms de Vilatuerta.

Arrancamos do albergue já eram quase 9 horas rumo a Estella onde nos voltamos a cruzar com o nosso amigo italiano Luigi. Caminhamos um pouco a seu lado para lhe dar um pouco de ânimo pois sabíamos que estava a considerar deixar o Caminho. Por esta altura do campeonato são muitas as lesões que começam a surgir e muitos os peregrinos que têm de regressar a casa. Ainda na passada noite havíamos assistido a uma desistência de uma senhora coreana que havia contraído uma tendinite. O seu esposo teve de a levar ao colo os quilómetros que lhes faltavam para atingir o albergue de Vilatuerta.

Alexandre e Luigi
Igreja de San Pedro de la Rúa em Estella
Estella vista da Igreja de San Pedro

Os medos de uma eventual lesão e consequente desistência estavam cada vez mais presentes no nosso pensamento. Mas tínhamos de os enfrentar. Podíamos não os conseguir vencer mas ao menos tínhamos de lhes dar luta, não podíamos ceder às primeiras. Na nossa mente ecoava a frase de que o Caminho é 25% esforço físico e 75% força de vontade.

Ao longe já se via o Mosteiro de Irache

E foi com esse pensamento como companheiro que nos despedimos de Luigi (que optou por ficar por Estella) e seguimos rumo a Azqueta, não sem antes pararmos na Fonte do Vinho que fica nos arredores do Mosteiro de Irache.

As profecias de Vilatuerta não podiam ser mais verdadeiras e a pinga até era boa! Apesar de ainda ser de manhã não deixamos de fazer um brinde à felicidade e ao Amor!

Para Azqueta? Vira à direita!
Azqueta? É mesmo ali ao fundo.

 

Até que enfim: Azqueta!

De Azqueta a Villamayor esperava-nos o troço mais bonito do dia mas também a subida mais rasgadinha (devíamos ter enchido uma garrafita na fonte pois a subida pedia analgésico).

Arriba! Hasta Villamayor!
Entrada em Villamayor

Sem esforço não há recompensa e foi com um grande sentimento de gratificação que chegamos ao fim de mais uma etapa.

Albergue de Peregrinos de Villamayor

Apesar de já andarmos “presos por arames” havíamos superado a marca dos 120kms da nossa primeira peregrinação a Santiago (pelo Caminho Português) e passaram a faltar menos de 700kms para Santiago! Digam lá que não é razão suficiente para se ficar satisfeito?

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Anabela e Alexandre (linguista e economista), apaixonados um pelo outro e pelas viagens. Juntaram as letras e os números e criaram Vagamundos - Blog de Viagens onde partilham as suas errâncias pelo mundo e motivam todos a viajar. Autores independentes dos livros Caminho do Amor e Rostos do Oriente. Aproveitam qualquer desculpa para vaguear pelo mundo. Viveram na Alemanha, Dinamarca e EUA. Praticam trekking e lounging, alternadamente. Gostam de sujar cozinhas e conversar até altas horas. Uma vez por ano fingem que tocam djambé.

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