Visitar Roma – o melhor de Roma num Roteiro de 2 dias

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Visitar Roma é uma imersão de cultura, história, arte e boa gastronomia. Por isso, é um dos destinos de viagem na Europa que atrai mais visitantes de todo o mundo. Para o ajudar a planear a viagem a Roma, escolhemos para si alguns dos marcos mais emblemáticos da cidade para um roteiro de 2 dias.

A mítica capital do Império Romano é também conhecida como a “Cidade Eterna”, um epíteto cuja autoria é atribuída aos poetas da Roma Antiga.

A nossa primeira visita a Roma coincidiu com a Semana Santa, com chegada na Sexta-feira Santa, e o plano original era vivenciar um dos acontecimentos mais simbólicos da cidade, a Via Sacra no Coliseu. Porém, tal não foi possível graças à alta eficiência da companhia aérea que nos atrasou o voo em apenas quatro horas. Bem, ainda vimos o Coliseu iluminado por milhares de velas, mas do lado de fora e da janela de um táxi.

No dia seguinte, recompostos da atribulada viagem e após a compra dos bilhetes de comboio para Florença, iniciámos então as nossas deambulações pela capital Italiana. Eis a nossa sugestão dum roteiro de 2 dias para quem visita Roma e, para começar, nada como abrir as “hostilidades” no mais famoso monumento romano.

O Melhor de Roma em 2 dias

1º Dia

O Coliseu

Começar o dia com uma visita ao Coliseu faz todo o sentido quando estamos numa das cidades mais históricas da Europa, e o Coliseu é um lugar histórico por excelência. Eleita uma das 7 Novas Maravilhas do Mundo, impressiona qualquer visitante pela sua imponência. O maior anfiteatro romano jamais construído foi o palco dos míticos combates mortais entre gladiadores e animais selvagens, a que assistiam imperadores e cidadãos abastados. A capacidade máxima do recinto era de 55 mil lugares sentados atribuídos de acordo com o estatuto social dos espetadores.

Nas imediações do Coliseu pode cruzar-se com um soldado romano. Desengane-se quem pensa que os bravos guerreiros estão de volta. Agora limitam-se a tirar fotografias com os turistas em troca de alguns euros. Mudam-se os tempos, mudam-se as necessidades (no original o provérbio dita “mudam-se as vontades”, nós sabemos. Mas também ele é mutável).

Fórum Romano

Prosseguimos a nossa visita caminhando até ao Fórum Romano. Nos primórdios da república, o Fórum era um local caótico, que abrigava estabelecimentos de comida, bordéis, templos e a casa do Senado. No século II a.C., foi no entanto decidido que Roma necessitava de um centro mais salubre e os ditos estabelecimentos de comida foram substituídos por centros de negócios e tribunais.

As maiores atrações do vasto espaço são:

  • a Casa das Virgens Vestais (que tratavam da chama sagrada do templo de Vesta),
  • a Basílica de Constantino,
  • o Arco de Tito (construído para comemorar o saque a Jerusalém),
  • as colunas do templo de Castor e Pólux.

Monte Capitolino

Prosseguimos o nosso passeio em direção ao Monte Capitolino, a cidadela da Roma Antiga que foi redesenhada por Miguel Ângelo no século XVI. A Piazza del Campidoglio, com a sua larga escadaria (Cordonata), para além de ser uma piazza extremamente agradável é ladeada pelo Palazzo Nuovo e pelo Palazzo dei Conservatori, que abriga os Museus Capitolinos onde pode encontrar belas coleções de escultura e pintura.

A Loba, Rómulo e Remo

Seria um pecado ir a Roma e não ver a famosa Loba de Rómulo e Remo. Aquando da nossa visita, a única referência que tínhamos da sua localização era que ficava no Monte Capitolino. Porém, não foi nada fácil encontrar o simpático e pequeno (muito pequeno) animal, que se escondia perto do Capitólio. Mas lá conseguimos. Foi um momento de “caça ao tesouro” divertido.

Qual a história da Loba? Bem, conta uma lenda que certa vez um homem muito cruel atacou o pai de dois gémeos, aprisionando-o e raptando os seus dois filhos que mais tarde abandonou na floresta deixando-os entregues ao seu destino. Porém, o choro das crianças atraiu a atenção de uma loba que os “adotou” e amamentou como se fossem seus filhos. Um dia um camponês passava pela floresta e deu com as duas crianças a amamentarem-se da loba. Decidiu levá-las com ele e batizou-as de Rómulo e Remo. Muitos anos mais tarde, já adultos, Rómulo e Remo foram à procura do seu pai sendo que o encontraram, libertaram e puniram o homem que o havia aprisionado. Depois, voltaram para o lugar onde a Loba os havia amamentado, nas margens do rio Tevere, e decidiram que aquele seria o lugar de uma nova cidade. O nome escolhido foi Roma.

Monumento Nacional a Vittorio Emanuele II

Descendo a Cordonata e andando um pouco para a direita em direção à Piazza Venezia, o monumento a Vittorio Emanuele, o primeiro rei da Itália unificada, começa a mostrar toda a sua magnificência. É certo que já do Coliseu se avistam as suas traseiras, mas só na Piazza Venezia temos consciência do colosso que é. É imperdível subir aquelas enormes escadarias e passear pelas suas arcadas enquanto se mira Roma de cima. A vista é de facto fantástica, mas julgue pelas fotografias.

Caminhar até ao Panteão

Caminhemos agora em direção ao Panteão. Os arredores do monumento clássico são deliciosos e caracterizam-se por ruas estreitas animadas por abundantes restaurantes e cafés. É também o bairro financeiro e político da cidade, abrigando o Parlamento e a Bolsa de Valores entre outros edifícios governamentais.

Chegar à Piazza della Rotunda (onde se encontra o Panteão) é uma promessa de surpresa a cada esquina. Seja uma casa que parece nascida de um sonho, seja uma ruela mágica, uma fonte que goteja ou “somente” uma piazza que teima em aparecer diante dos nossos olhos. Roma é rica neste tipo de recantos, neste tipo de surpresas.

Igreja Santa Maria sopra Minerva

Já perto do Panteão surge a Piazza della Minerva (dominada por um elefante que suporta um obelisco egípcio – da autoria de Bernini) onde se encontra uma das poucas igrejas góticas de Roma. Falamos da Igreja Santa Maria sopra Minerva, onde pode encontrar várias obras de Miguel Ângelo, Bernini e Filippino Lippi.

Panteão de Roma

E finalmente, eis que chegamos a um dos maiores símbolos da cidade. O Panteão, o “templo romano de todos os deuses”, é o mais bem conservado edifício antigo de Roma, tendo sido construído no século I. Quando atravessamos o impressionante pórtico da entrada descobrimos o esplendor deste edifício. A vasta cúpula hemisférica dá uma proporção perfeitamente harmoniosa ao edifício. Merece sem dúvida uma atenta visita.

Piazza Navona

Relativamente perto do Panteão encontramos a teatral Piazza Navona, o centro social da cidade de Roma. Seja de dia, seja de noite, a atividade não cessa à volta das três fontes barrocas. São inúmeros os pintores que exercem e vendem a sua arte no local, assim como muitos outros artistas de rua, que vão dos saltimbancos aos músicos. É fácil perdermo-nos pelo meio desta apinhada galeria de rua. E é fácil ceder à tentação de trazermos connosco algumas das atraentes obras expostas. Na Piazza Navona também não faltam os cafés e os restaurantes com as suas sempre cheias esplanadas. Uma boa opção para terminar o seu primeiro dia em Roma com um bom manjar. O único “senão” são mesmo os preços praticados, mas dias não são dias…

Fontana dei Quattro Fiumi

Indo ao particular, a grande atracão da piazza é a famosa Fontana dei Quattro Fiumi de Bernini. A referida fonte tem estátuas dominadas por um obelisco que representam os quatro maiores rios do mundo da época da sua criação, nomeadamente: o Nilo, o rio da Prata, o Ganges e o Danúbio. É uma obra magnífica e não é de admirar que passe uma boa dezena de minutos a olhar para ela de todas as perspetivas possíveis.

Os arredores da piazza são também muito simpáticos. Aconselhamos um passeio ao longo da Via del Governo Vecchio, onde pode sentir a Roma antiga, caracterizada pelas fachadas dos edifícios renascentistas, pelos fascinantes antiquários e pelas inúmeras trattorie.

Fontana di Trevi

Após “perder-se” em passeios pelas ruelas circundantes à piazza Navona, rume para o nordeste de Roma onde será surpreendido com a maior e mais famosa fonte de Roma, a Fontana de Trevi. Este projeto de Nicola Salvi tem como figuras centrais Neptuno ladeado por dois tritões. O lugar marcava o final do Aqueduto de Aqua Virgo, que canalizava água para as novas estâncias termais de Roma. Um relevo no primeiro andar, mostra uma rapariga, de seu nome Trivia, a quem a fonte deve o seu nome. Conta a lenda que ela mostrou a nascente de água aos sedentos soldados romanos, a 22 kms da cidade.

E quem por aqui passa não deve partir sem cumprir a já lendária tradição de mandar uma moedinha para a dentro da fonte. Dizem que assegura que um dia voltará à cidade eterna – connosco resultou. Mas não pode atirar a moeda de qualquer maneira. Existe todo um ritual romano a cumprir para assegurar a sua futura viagem a Roma: deve estar de costas para a fonte, segurar a moeda com a mão direita e mandá-la para trás com um movimento sobre o ombro esquerdo. Não deve olhar para a moeda. Portanto, se tiver dúvidas em relação à sua pontaria, peça a alguém para conferir.

Obviamente que também nós cumprimos a tradição, se bem que para tal, tivemos que abrir caminho através de uma multidão de turistas. Mas valeu bem a pena até porque a Fontana de Trevi foi o nosso ponto de eleição em Roma.

Se tiver oportunidade, não deixe de por lá passar à noite. Aproveite e jante num dos ótimos restaurantes que se podem encontrar nas ruelas circundantes. Para Itália, os preços estão em conta e a maior parte dos restaurantes tem uma vasta carta de vinhos.

2º Dia

Piazza di Spagna

Em forma de cordão retorcido e rodeada por fachadas silenciosas e fechadas, a Piazza di Spagna está usualmente apinhada durante todo o dia. Mas de manhã cedinho é um sossego. Esta praça deve o seu nome ao Palazzo di Spagna, construído no séc. XVII para hospedar a Embaixada de Espanha, junto da Santa Sé. A vista que se tem do alto da Scalignata di Spagna (nome das escadarias), é uma das melhores da cidade, sendo que a mesma é uma escolha recorrente de muitos realizadores de cinema.

A Piazza di Spagna é um local tradicional de encontro de jovens, turistas e dos indispensáveis artistas de rua, que usualmente se reúnem em torno da Fontana della Barcaccia. A igreja que fica localizada no topo tem por nome Trinità dei Monte, tendo sido construída em 1495 e contendo no seu interior inúmeras obras de arte.

Via Condotti e Via del Corso

Depois de se visitar a praça nada como fazer um pequeno passeio seguindo a famosa Via Condotti, oficialmente Via dei Condotti, que é somente uma das ruas mais elegantes de Roma, contendo inúmeras lojas de moda e cafetarias finas, dentre as quais se destaca o Caffé Greco. A animação de rua também marca presença por estas bandas. O único “senão” é a quantidade de turistas por metro quadrado… Mas nada é perfeito. Depois é continuar pela badalada Via del Corso, que é uma das mais movimentadas artérias de Roma, e que segue desde o Vittoriano até à Piazza del Popollo.

Piazza del Popolo

A Piazza del Popolo é uma ampla e agradável “zona pedonal” rodeada de edifícios históricos que provam como Roma foi uma cidade que sempre acolheu a inovação arquitetónica. É atualmente um local propício à realização de eventos públicos importantes para a cidade e também o palco de grandes manifestações populares.

Castelo de Santo Ângelo

Após o passeio pelo coração romano da cidade, rumamos até às margens do rio Tevere, onde majestosamente se ergue o Castelo de Santo Ângelo, que deve o seu nome a um anjo que em 590 d.C. surgiu no castelo, anunciando que a peste, que na altura atacava Roma, iria cessar. Durante a época medieval esta foi uma das mais importantes fortalezas pertencentes aos Papas. Mais tarde, na época dos movimentos de unificação da Itália, ocorridos no séc. XIX, serviu como calabouço e prisão para muitos patriotas.

Cidade do Vaticano

Do castelo já se avista ao longe a Cidade do Vaticano, a capital mundial do Catolicismo, com a Basílica de São Pedro no horizonte. O mais pequeno estado do mundo fica no local onde São Pedro foi martirizado e sepultado, tornando-se a residência dos Papas que lhe sucederam. Para além da Praça de São Pedro e da Basílica de São Pedro, não deixe de visitar o famoso museu do Vaticano e a Capela Sistina, morada dos deslumbrantes frescos de Michelangelo. Recomendamos que não perca a oportunidade de ver in loco os engalanados soldados da Guarda Suíça Pontifícia.

Com o número elevado de visitantes que Roma atrai, as filas para aquisição de ingressos nos monumentos são enormes e a espera pode levar horas a findar, horas essas que são preciosas para aproveitar o tanto de magnífico que a capital italiana tem para oferecer: um spaghetti alla carbonara numa tattoria típica, um gelato numa esplanada da Piazza della Rotonda enquanto se aprecia a dinâmica da cidade, e arrematar tudo isto com um dolce cappuccino.

Um conselho, aproveite para absorver o ambiente que o rodeia, afinal tem a sorte de estar num dos lugares mais belos do mundo.

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