Odense – cidade de fábulas

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Em Abril de 2010 resolvemos ir a Odense para dar as boas-vindas a uma demorada Primavera, após um Inverno que não dava tréguas.

A terceira maior cidade da Dinamarca deve o seu nome ao deus nórdico Odin e é mais conhecida por ser o berço do escritor Hans Christian Andersen. Esta cidade universitária situa-se no coração da ilha Fiónia e na Idade Média foi um importante posto mercantil.

Saídos da estação de comboios, dirigimo-nos ao jardim Kongens Have para fotografar o exterior do Castelo de Odense (já que as visitas só são concedidas em situações especiais), um palacete sem opulência. Não dispensámos a visita à Igreja de Santa Ana que ladeia o castelo e onde H.C. Andersen foi baptizado.

Ao embrenharmo-nos pelas ruas, não pudemos deixar de reparar no estado impecável das velhas casas que revestem a cidade com o manto indelével da História. A prosperidade da cidade atraiu muitos mercadores e senhores endinheirados que construiram as suas mansões e palacetes na aprazível ilha da Fiónia. A casa vermelha na primeira fotografia data de 1586 e foi construída pelo mercador Oluf Bager.

Fizemos a nossa viagem no tempo em busca dos locais que fizeram a história de vida do inventor de histórias. O museu H.C. Andersens Hus, que reúne uma enorme quantidade de objectos pessoais do escritor, foi o ponto de partida. Facilmente encontrámos a minúscula casa onde H.C. Andersen nasceu, situada no bairro medieval e que nessa época era um bairro pobre.

As estreitas ruas calcetadas ladeadas por pequenas casas dão um ar encantador a este bairro.

A infância de Andersen não foi fácil. Um pai rude, uma mãe temperamental com um passado pouco honroso, um avô louco e uma avó a oscilar entre excêntrica e mentirosa compulsiva. Talvez por isso, Andersen tenha “fugido” para Copenhaga onde viveu até ao fim dos seus dias.

Deambulando pelas ruas do centro medieval, no meio de casas com história que sabem a idade que têm, descobrimos a Fattigskolen – Escola da Caridade – onde o escritor foi aluno.

Estátuas do próprio escritor e inspiradas nos seus contos espalham-se pela cidade, como se fossem marcos num mapa do tesouro.

Saímos do bairro medieval e dirigimo-nos à parte nobre da cidade onde está a Câmara Municipal.

Ali bem perto, a Catedral de Odense tinha uma história para nos contar. O nome, Sankt Knuds Kirke, deriva do rei Canuto II que governou a Dinamarca entre 1080 e 1086. A sua morte prematura deve-se a uma revolta de agricultores da Jutlândia, por causa dos elevados impostos. Assasinaram-no ali bem perto, onde hoje se ergue a igreja católica de Skt Albani. Era imprescindível descermos à cripta onde se encontra o esqueleto do rei santo e do seu irmão Benedikt.

Digno de destaque no seu interior é o altar em talha dourada de 1521 da autoria do alemão Claus Berg de Lübeck. Os detalhes das 300 figuras esculpidas no tríptico de 5 metros são impressionantes.

Por detrás da catedral, o romântico jardim H.C.Andersen clama pelos casais apaixonados. E foi nesse espírito que ali deixámos o tempo passar sem pressas.

Escondida numa rua próxima da catedral, encontra-se a H.C. Andersens Barndomshjem, a casa onde o contador de fábulas viveu dos 2 aos 14 anos de idade, hoje transformada em casa-museu.

Para nos despedirmos de Odense, resolvemos caminhar ao longo da margem do canal do séc. XIX que liga a cidade ao mar, usufruindo dos primeiros sinais da ansiada Primavera.

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Anabela e Alexandre (linguista e economista), apaixonados um pelo outro e pelas viagens. Juntaram as letras e os números e criaram Vagamundos - Blog de Viagens onde partilham as suas errâncias pelo mundo e motivam todos a viajar. Autores independentes dos livros Caminho do Amor e Rostos do Oriente. Aproveitam qualquer desculpa para vaguear pelo mundo. Viveram na Alemanha, Dinamarca e EUA. Praticam trekking e lounging, alternadamente. Gostam de sujar cozinhas e conversar até altas horas. Uma vez por ano fingem que tocam djambé.

10 COMENTÁRIOS

  1. Muy bella Odense, con algo especial a partir de Andersen. Amaba sus cuentos cuando era pequeña!.
    Me gusta la arquitectura de estos lugares. Muy bella la calle de piedras y las casas bajas de la primera foto.

    Hermoso post! Gracias por mostrarnos tan bonitos lugares

  2. Tudo impecável, limpinho, arranjado, a emanar uma grande paz e traquilidade. Respira-se qualidade de vida. Não há dúvida de que se trata do 1º mundo, ou lá o que isso quererá dizer…

    Saudações do Roadrunner!

  3. Olá Roadrunner. Quando há dinheiro é mais facil manter tudo arranjadinho! E com os impostos que se pagam por aqui, têm obrigação de o ter 🙂
    Abraco

    Olá Lacoste. Obrigado!
    Abraço

    Olá Paula. Foi pena não terem apanhado um dia mais "sorridente". Se é coisa que por aqui há pouco é bom tempo. Da proxima vez terás mais sorte, vais ver!
    Bjs

  4. Olá Vagamundos.
    Mais uma postagem muito intressante nos trazem por aqui. As vossas cronicas são autênticas enciclopédias.
    Fiquei a saber a origem do nome Odense que desconhecia.
    Bom trabalho!
    Cumprimentos

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