Visitar Mértola: Guia e Dicas de Viagem

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A tranquila vila muralhada de Mértola domina sobre o rio Guadiana. A cidade empoleirada numa penha rochosa e escarpada parece desafiar as leis da gravidade. As ruas calcetadas, o casario de branco intenso e o emaranhado de labirínticas ruelas, escadinhas e vielas conferem à vila aquele ambiente medieval que a tornam num lugar delicioso para vaguear. A herança cultural é vasta apesar da sua pequena dimensão. Pauta-se por ser um lugar tranquilo onde a tradição e o aconchego convidam ao descanso e fruição.

Porquê visitar Mértola?

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A vila de Mértola vista a partir do Cerrinho das Neves.

Mértola é um local histórico de rara beleza patrimonial. Adicionem a isso os fortes argumentos da sua beleza natural, o Parque Natural do Vale do Guadiana, e têm em mãos uma vila portuguesa do nosso Alentejo que convence até o mais cético visitante.

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A vila faz-se coroar por um castelo imponente e sólido que nos leva a pensar sobre a relevância deste povoado desde os tempos passados. A velha muralha parece abraçar o casario. Designada de Vila Museu devido a um vasto espólio arqueológico “desenterrado” das entranhas da terra do concelho, Mértola revelou que desde o Neolítico um grupo de pessoas a considerou um bom local para habitar.

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Depois de muitos outros povos vieram os Romanos que lhe colaram o nome de Mirtilis. Despontou uma forte vocação comercial e a atividade mercantil desenvolveu-se devido principalmente ao porto. É verdade, Mértola era uma cidade portuária, benefícios da navegabilidade do rio Guadiana que banha a vila.

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A última grande influência é a Islâmica tendo sido, inclusivamente por um breve período, um reino independente, a taifa de Mértola. Com os povos invasores vindos do norte de África, Martulah recupera o seu estatuto comercial e passa a figurar no mapa como o porto mais ocidental do Mediterrâneo. Mértola vale-se fortemente dessa presença árabe realizando um Festival Islâmico no mês de maio a cada dois anos.

Mértola, o que visitar?

Igreja Matriz

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Igreja Matriz de Mértola e Antiga Mesquita

A Matriz de Mértola impressionou-nos pelo branco ofuscante de que se veste à luz intensa do sol alentejano. A estrutura é simples: um austero quadrado, paredes despidas de adornos e ornamentos e apenas os merlões e pináculos cónicos que adornam o templo denunciam o estilo mudéjar alentejano. O pórtico da entrada, esse sim, tem significativos detalhes decorativos que denunciam uma influência gótica. É no interior que se descobre a sua longa história. Sob um teto abobadado suportado por colunas, descobrem-se os vestígios que confirmam indubitavelmente que este edifício foi outrora a mesquita da vila. O mirhab ainda em bom estado de preservação e as portas de arco em ferradura são disso prova. Do interior tem-se ainda acesso à cave da antiga sacristia que expõe os vestígios de outras épocas desta edificação.

Castelo de Mértola

Castelo de Mértola e estátua equestre de Ibn Qasi

Faltam dados concretos sobre a data da primeira edificação fortificada. Sabe-se que o castelo fortificado assenta sobre construções muito antigas. Só no século XIII, aquando da Reconquista é que foi edificada a grande maioria das suas estruturas, como a Torre de Menagem que alberga agora um núcleo museológico com peças da época em que a Ordem de Santiago se sediou em Mértola. Devido à sua posição altaneira é, obviamente, um dos melhores pontos para vistas panorâmicas sobre a vila e o rio Guadiana.

Alcáçova

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Alcáçova de Mértola

Um extenso trabalho de escavações arqueológicas revelaram a existência de um núcleo habitacional nas imediações das muralhas do castelo. Num primeiro nível encontra-se o conjunto de habitações islâmicas debaixo das quais foram descobertas as construções da época Romana. As construções habitacionais islâmicas provam a existência dum bairro proeminente com todos os traços caraterísticos da arquitetura mourisca mediterrânica: pátio de entrada, cozinha e despensa, quartos e latrina. Um nível abaixo, os vestígios Romanos indicam a existência dum palácio episcopal ou fórum cuja galeria se estende até ao atual cemitério.

Torre do Relógio

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Este é um dos elementos mais fotogénicos da vila de Mértola. Um torreão assente sobre as muralhas que circundam o centro histórico, convida tanto o visitante a explorar a sua escadaria, como o casal de cegonhas que habita no telhado. No sino inscreve-se a data de 1593, data provável da sua utilização como torre relógio. Daqui pode-se descer a escadaria que dá acesso ao porto e aproveitar para fazer uma caminhada à beira da rio. Chegar lá é fáci, é só descer a rua a partir do Largo Luís de Camões onde se encontra a Câmara Municipal.

Torre do Rio ou Torre Couraça

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Já no período de ocupação Romana era sentida a necessidade de proteger o porto e a cidade. Foi com esse propósito que foi construída a Torre Couraça como forma de garantir à população o acesso à água do rio em épocas de cheia ou guerra.

Casa de Mértola

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Entre no Posto de Turismo de Mértola e, logo à direita, uma porta convida a entrar. Não deixe de dar uma vista de olhos na Casa de Mértola. Em dois pequenos compartimentos, temos acesso às parcas e modestas comodidades duma família de sete pessoas. Assim era a realidade para mais de dois mil habitantes da vila há pouco mais de trinta anos.

Casa Romana

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A Câmara Municipal de Mértola é a porta de entrada da Casa Romana.

Aquando dumas obras nas fundações da Câmara Municipal, foram descobertos vestígios duma habitação. Assim nasce o núcleo museológico da Casa Romana com uma pequena exposição dos achados: potes, ânforas, esculturas e outros artefactos.

Museu de Mértola

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O Posto de Turismo de Mértola facilita toda a informação sobre a vila e o concelho.

Alguns dos pontos de interesse acima mencionados, fazem parte do Museu de Mértola. No fundo, o Museu é um conjunto de núcleos museológicos espalhados um pouco por toda a vila. Ocupando edifícios históricos preparados para criar a ambiência adequada à temática do acervo que reúnem, esta é uma iniciativa da Câmara Municipal de Mértola que pretende mostrar a grande riqueza etnográfica, histórica e cultural da Vila Museu. Os núcleos museológicos de Arte Islâmica e Arte Sacra provam a cristianização e islamização do concelho. Somam-se a Torre de Menagem no castelo, a Forja do Ferreiro, a Oficina de Tecelagem que mantém vivas técnicas ancestrais, e a Casa do Mineiro, este na Mina de São Domingos. Os núcleos implantados em edifícios dos respetivos períodos históricos são a Casa Romana, a Basílica Paleocristã, a Ermida e Necrópole de S. Sebastião e a Alcáçova. Dependendo das suas preferências, não lhe faltam opções para se passar o tempo nesta apelativa vila alentejana.

Mértola, o que fazer?

Mas desengane-se quem julga que Mértola se resume ao seu casario branco amuralhado. Há uma panóplia de atividades que a vila lhe pode oferecer devido à sua localização privilegiada no Parque Natural do Guadiana.

Festival Islâmico de Mértola

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Como não podia deixar de ser, damos destaque a um dos eventos mais emblemáticos da Vila Museu. O Festival Islâmico de Mértola é bianual e tem lugar no mês de maio. E, nem de propósito, em 2017 Mértola abre as portas para a 9ª edição. Convida-nos novamente a explorar os “souks” onde as cores e odores nos levam a viajar por terras de além-mar, a celebrar o encontro de culturas com as sonoridades de alaúdes e batuques misturadas com o cante alentejano que se espalham por todos os recantos da vila, e a provar a gastronomia de influência árabe.

 

 

 

 

 

 

 

 

Caminhadas

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Como somos amantes do trekking, não podíamos deixar de destacar as caminhadas pelas margens do Guadiana ou pelos montes envolventes do Parque Natural do Vale do Guadiana. As paisagens são brutais. Os percursos estão bem assinalados e oferecem a calma e solidão ideais para quem gosta do contacto direto com a natureza.

Observação de Aves

Com sorte, pode começar esta aventura observando as muralhas do castelo e ter o privilégio de ver uma das espécies mais raras, o peneireiro-das-torres, ou então aventurar-se num trilho pela natureza e ter a sorte de captar uma pega-azul no Pulo do Lobo. Desde aves de rapina a aves aquáticas, das espécies mais comuns às espécies autóctones do Parque, não faltam oportunidades de conhecer os invejados “donos do céu”. Tivemos a boa-fortuna de avistar muitas destas espécies e encher os ouvidos com os seus belos e singulares cantos.

Pesca

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O rio Guadiana é o cenário ideal para quem aprecia a pesca desportiva para relaxar totalmente. É verdade que já lá vai o tempo em que os mertolenses tiravam daqui o sustento para a família, mas o rio e respetivos afluentes, com uma envolvência natural ímpar, oferecem-se como o lugar perfeito para a prática do desporto.

Atividades náuticas

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Desde a Praia Fluvial da Mina de São Domingos (época balnear de 15 de junho a 15 de setembro) de areal espraiado para receber a sua visita o ano inteiro, até a relaxantes passeios de barco pelo Rio Grande do Sul, passando pela canoagem, os amantes da água também têm ao seu dispor um manancial de atividades que de certeza não desapontará.

Caça

A Capital da Caça convida também à atividade da caça desportiva e são muitos os eventos aqui realizados em torno do desporto. Não é por isso de estranhar que muitos pratos gastronómicos célebres desta vila, sejam pratos de caça onde perduram as tradições seculares e a mestria das cozinheiras doutros tempos.

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