Visitar Alcoutim, um Algarve Natural: o que ver e fazer

visitar alcoutim o que ver e fazer

Fomos convidados a participar no Fórum de Caminhadas e Turismo de Natureza promovido pela Câmara Municipal de Alcoutim em colaboração com a Associação Odiana.

Entre entidades e empresas regionais, nacionais e internacionais, o fórum resultou num espaço de partilha de boas práticas de turismo sustentável, de debate aberto a todos os agentes intervenientes no desenvolvimento e promoção do Baixo Guadiana como um destino de Turismo de Natureza.

Alcoutim recebeu-nos de braços abertos e ao longo de 3 dias conduziu-nos pelo seu património milenar, pelos seus fantásticos trilhos e pela sua deliciosa gastronomia.

Mas este Algarve com sotaque alentejano tem muito mais do que cultura e fantásticas paisagens para oferecer a quem o visita. Tem também a simpatia, simplicidade e arte de bem receber das suas gentes que lhe dão vida e que, a cada esquina, nos brindam com uma calorosa saudação e um sincero sorriso.

© Câmara Municipal de Alcoutim

Se como nós adoram natureza e autenticidade, Alcoutim tem muito, mas mesmo muito para oferecer. E garantimos que este “outro Algarve” vai ganhar lugar cativo no vosso mapa sentimental.

Quando visitar Alcoutim?

Devido à sua localização e características geográficas, é possível visitar Alcoutim durante todo o ano. Durante a primavera e outono as temperaturas são muito agradáveis para usufruir de todo o potencial deste destino de Turismo de Natureza partilhado por serra e rio. O verão é quente e seco mas o Rio Guadiana e a Ribeira dos Cadavais dão-lhe frescura. E mesmo no inverno, Alcoutim goza de boas temperaturas para tirar proveito das experiências genuínas que o município lhe oferece.

Alcoutim é uma excelente opção para um passeio de fim de semana, viagem em família e escapadinha romântica com oferta diversificada de atividades para todos.

Com atividades e festividades distribuídas por todo o ano, Alcoutim convida o visitante não só a conhecer mas a fazer parte de tradições e costumes que fazem deste um recanto único de Portugal.

O Festival de Caminhadas de Alcoutim atrai muitos visitantes em março para desfrutarem dos mais de 150 km de percursos pedestres homologados que cruzam o concelho, como sejam a Grande Rota do Guadiana – um dos mais belos trilhos beira-rio que conhecemos – e a Via Algarviana com ponto de partida nesta vila.

No mesmo mês, o Festival do Contrabando promove as artes aliadas às memórias doutros tempos em que o contrabando era um modo de vida nesta vila raiana.

Em agosto as festas das aldeias do concelho convidam todos a provar as suas iguarias únicas, a conhecer as suas artes e ofícios, a confraternizar com gentes que sabem acolher.

O que visitar em Alcoutim?

Alcoutim vestiu-se com as melhores cores dum pôr do sol outonal para nos receber. Chegamos com um generoso sol a coroar Alcoutim de ouro. As muralhas do castelo em tons ocre do xisto, o casario branco debruado de azul-céu e amarelo-sol, o quadriculado dos telhados vermelhos e o perfeito enquadramento do verde serrano, fazem-nos abrandar a marcha para contemplar, maravilhados, este segredo bem guardado do Algarve.

Alcoutim tem para oferecer aos seus visitantes experiências únicas que preenchem os sentidos e transformam as horas aqui passada em vivências inesquecíveis.

Descemos ao centro da vila apressadamente em direção ao Cais Velho.

Já se vê o Guadiana, rio que banha Alentejo e Algarve interior, fronteira natural entre Portugal e a Espanha. Do lado de lá, Sanlúcar de Guadiana é vigiado pelo seu castelo-fortaleza altaneiro.

Damos de caras com o Contrabandista que se prepara para atravessar o Guadiana a nado para ir buscar uma carga de precioso café a Salúncar.

A jusante, no topo do monte, está o Fiscal atento e pronto a disparar a matar, ou a fazer olho gordo ao nadador ilegal – o mais provável é ser da família.

Alheio a isto, ou não, está o Pescador a cuidar das suas redes. Esta é a homenagem que a vila fez a três das principais atividades que constituíam outrora o tecido económico do município raiano. “Falta aqui o Barqueiro” diz-nos Júlio, com um certo pesar no coração que bate por Alcoutim.

Sobranceira ergue-se a Igreja Matriz de São Salvador com a sua torre sineira.

Igreja Matriz de Alcoutim

A escassos passos, e mais modesta, a Capela de Santo António recebe um pequeno tesouro no Núcleo Museológico de Arte Sacra.

Mas o templo de verdadeira devoção é a Ermida de Nossa Senhora da Conceição com a sua escadaria barroca.

Ermida de Nossa Senhora da Conceição

A Igreja da Misericórdia recorda os locais e ensina os visitantes o quanto o Guadiana pode ser fonte de vida ou de tragédia, assinalando numa placa o nível das cheias de 1876.

Igreja da Misericórdia

Percorremos vielas calcetadas a xisto para subirmos ao Castelo de Alcoutim, baluarte de defesa fronteiriça e controle do comércio no Rio Guadiana desde o século XIV, reinava D. Dinis.

Ao atravessarmos o arco da entrada somos cumprimentados pela frescura verdejante dum jardim bem cuidado, ótimo para uma manhã em família na senda do passado ou aquele passeio romântico de fim de tarde enquanto se apreciam as magníficas vistas sobre Alcoutim, o Guadiana, o pueblo espanhol de Salúncar, a serra e os seus vales.

É impossível de resistir a uma selfie com este pano de fundo – © Câmara Municipal de Alcoutim

No interior, um surpreendente espólio museológico prova a presença de povos e civilizações desde o Neolítico que deixaram marcas e influências ainda visíveis no património arqueológico.

Um pedaço do Menir do Lavajo prova que a região tem ocupação humana há mais de 3000 anos e, apenas a 10 km dali, permanecem altivos outros 2 irmãos gémeos.

As Ruínas do Montinho das Laranjeiras estão esboçadas num painel – as cheias de 1876 puseram a descoberto este tesouro arqueológico, uma villa romana, que mais tarde viria a revelar ter sido ocupada por romanos, visigodos e muçulmanos.

Mas a mostra não se fica por aqui; o espólio militar percorre vários séculos de atividade militar e defensiva desta terra de fronteira e, num outro espaço, jogos de tabuleiro descobertos no Castelo Velho provam como os árabes, provavelmente duma tribo bérbere, desenvolviam o raciocínio matemático recorrendo ao lúdico.

O que fazer em Alcoutim?

Para além de todo o património histórico e arqueológico, há ainda um património cultural ligado ao rio, ao artesanato, à gastronomia e atividades locais.

O rio Guadiana, para além de dar um pano de fundo soberbo à vila de Alcoutim, tem um potencial enorme com atividades e experiências que apaixonam qualquer visitante.

No verão a praia fluvial do Pego Fundo é o lugar ideal para se refrescar nas plácidas águas da Ribeira dos Cadavais, antes que desague no Guadiana.

Praia Fluvial do Pego Fundo © Câmara Municipal de Alcoutim

Kayak, remo, ou um lento passeio de barco rio acima para ver a Rocha da Livraria, por exemplo, é o que a Fun-River lhe oferece no Cais Velho. Se água não for o seu meio, pode sempre optar pelos passeios a pé, de BTT ou em kart-cross, pela serra ou pelas margens do Guadiana.

Rocha da Livraria

O concelho de Alcoutim oferece ainda um manancial de trilhos pedestres repletos de paisagens naturais emblemáticas, vestígios ancestrais e experiências culturais inesquecíveis que desafiam os sentidos.

A Grande Rota do Guadiana é mais do que um mero percurso pedestre. Entre o Rio Vascão, onde acaba o Alentejo e começa o Algarve, e Alcoutim percorre-se o verdadeiro trilho da ronda da guarda fiscal.

Uma visita à casa da família Jerónimo leva-nos a conhecer o desvelo com que se preserva a autenticidade do sabor, e do saber, dos enchidos deste interior algarvio. Feito na tradição, Feito no Zambujal. Escolhem-se as carnes de porco preto criado a cereais, fazem-se os cortes, fritam-se os torresmos, enchem-se as chouriças.

No fumeiro é o azinho que dá sabor às chouriças, aos paios e às faceiras. Na sala da seca, a paciência de ano e meio produz presunto de primeira qualidade. A mesa corrida está posta e entre portugueses e espanhóis, cada membro da família vai-nos satisfazendo a curiosidade das iguarias que nos puseram no prato. Arrancamos do Zambujal, com pouca vontade de abandonar a amena cavaqueira e o aconchego desta familiaridade.

Mas Nuno Coelho e as suas 100 cabras algarvias esperam-nos para o regresso a casa. Entramos na sua quinta com o céu a pegar fogo – aquele pôr do sol converte qualquer citadino em homem do campo.

Vemos Nuno chegar na penumbra com as malhadinhas. Hora de alimentar os filhotes, só depois se ordenha o leite que sobrar. Este é um leite sem comparação, rico e saboroso pois estas meninas são tratadas com amor do seu pastor e com o melhor que a serra lhes dá. O queijo é uma surpresa, suave e aromatizado. Se feito na primavera então, não tem concorrente, “é quando o leite da cabra algarvia é melhor”. Nuno come diariamente o iogurte caseiro de cabra que não tem igual nem substituto, privilégio de pastor.

© Câmara Municipal de Alcoutim

Cheira a ar puro e o bem estar instala-se. Quando a noite chega, é a pé que vamos em direção ao Castelo Velho de lanterna na mão. Esta terra de quietude, daquela que nos mima quando se cola à pele, reserva-nos ainda uma surpresa. Enquanto andamos pelas vielas, brota o fumo das chaminés. E num ápice propaga-se o cheiro a lareira acesa que nos leva às memórias de infância.

O céu está limpo, as luzes da vila ficaram lá para trás e a escuridão é total: estão reunidas as condições perfeitas para ver o céu estrelado. É a Tour Estelar que nos guia por uma viagem entre corpos celestes, galáxias distantes, nebulosas e anos-luz de mundos incógnitos. Observamos maravilhados diminutos pontos de luz que há milénios nos intrigam e fazem parte do nosso imaginário.

© Câmara Municipal de Alcoutim

No terraço do nosso quarto, ouvem-se os grilos, um cão lá longe a latir e o tinir dum chocalho. Da Ermida de Nossa Senhora da Conceição soam 11 badaladas. Passados 30 segundos, a igreja matriz de Sanlúcar de Guadiana devolve 12 badaladas. O silêncio aqui é tão natural como a serra que abraça esta zona raiana. Despedimo-nos de Alcoutim com a noite bem avançada mas um sorriso nos lábios.

Mapa com os principais pontos de interesse turístico e actividades de Alcoutim


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Gastronomia de Alcoutim

Na gastronomia, entre o Algarve e o Alentejo, Alcoutim definiu o seu sabor. Cozinha singela mas deliciosa. A enguia para o ensopado vem do Guadiana, o porto preto vem da serra. Do labor e suor nos campos de cultivo brotam o grão, as couves e o feijão, a abóbora, o tomate e a batata doce. Nenhum prato vai à mesa sem ser generosamente aromatizado com alguma erva. Numa leira cuida-se do coentro e da hortelã. Selvagens crescem o orégão, o tomilho e, o ingrediente secreto de Alcoutim, a hortelã da ribeira que aromatiza pratos de peixe como nenhuma outra.

Jantar de Grão no restaurante O Rio

Se visitar Alcoutim, procure o jantar de grão, o jantar de couves ou o jantar de feijão. Aqui quem trabalhava a jorna de sol a sol, só tinha uma refeição de sustância ao meio dia, o jantar. Se viesse com pedaços de carne, é porque havia posses ou o ano tinha sido generoso. É Marta que nos revela estes segredos numa conversa descontraída no Hotel D’Alcoutim, enquanto nos babamos com um requeijão de ovelha local com doce de abóbora saído das suas mãos. Tem um desejo aceso de recuperar as receitas locais do antigamente, aquelas que já nem as avós se lembram.

Deliciosas iguarias no Feito no Zambujal © Câmara Municipal de Alcoutim

Enquanto espera pelo seu jantar à moda de Alcoutim, pelo seu prato de caça ou migas de espargos, abra a degustação com uma sopa de tomate, uma chouriça fogueada em aguardente de medronho, um presunto com ano e meio de cura ou um queijo de cabra algarvia. Feche com umas migas doces, uma torta de alfarroba, ou um doce que faça esta junção divinal de produtos locais: mel, figo e amêndoa.

Torta de Alfarroba no restaurante O Rio

O digestivo deverá ser sempre uma aguardente, não uma qualquer, em Alcoutim pede-se uma de medronho. Mas nada como uma de figo, feita no Zambujal.

© Câmara Municipal de Alcoutim

Artesanato

Infelizmente, o saber ancestral do artesanato desaparece com cada ancião que Alcoutim perde. Tornam-se raras as mantas de lã ou de trapos, os bordados e rendas, os linhos. Ainda assim, são mantidos por uns poucos que amam as tradições e costumes que lhes dão identidade. As gentes ainda vão preservando a tradição da cestaria em cana, da olaria e há quem ainda faça sapatos como antigamente. A esperança é ainda depositada em quem adaptou e inovou com as mãos sujas de barro, as flores em palha de milho ou esteva trancada e, ainda, as bonecas de juta.

Onde dormir?

Nesta visita a Alcoutim ficámos alojados no Hotel D’Alcoutim onde fomos calorosamente recebidos. Os quartos espaçosos são confortáveis, limpos e com uma decoração moderna e minimalista. E nada como desfrutar das horas de descanso na sua varanda-terraço individual.

Pode relaxar numa espreguiçadeira à beira da piscina enquanto aprecia as vistas sobre o rio Guadiana, até mesmo descer ao cais para um passeio de barco rio acima, ou desfrutar duma bebida no luminoso bar. O restaurante e a sala de conferências são bons recursos para quem viaje a trabalho.

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Dica
Se gosta de Turismo de Natureza e procura mais lugares mágicos no Algarve não deixe de ler os nossos artigos sobre o Trilho dos 7 Vales Suspensos e da Fonte Benémola e sobre a Cascata do Pego do Inferno.

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