De Agés a Burgos (24km)

296,5km percorridos
516,5km para Santiago

A etapa de hoje prometia ser longa e penosa, pois marcava a entrada numa das maiores cidades do Caminho Francês de Santiago. Sabíamos de antemão que, entre outros desafios, esperava por nós um “passeio” à volta do aeroporto de Burgos e que os últimos 8kms seriam feitos nas bermas da estrada nacional N-120, onde a natureza dá lugar a carros, camiões, fábricas e armazéns.

Escusado será dizer que a entrada de Burgos tinha sido um dos tópicos de conversa entre peregrinos na noite anterior e que a maioria deles iria optar por apanhar um autocarro para Burgos depois de percorridos a primeira dezena de quilómetros da etapa. Nós também consideramos essa opção mas ao sabermos que havia um caminho alternativo após o aeroporto, que toma o passeio fluvial do Rio Arlanzón, optamos por não fazer “batota” e arriscar seguir por aí. Sabíamos que a alternativa implicava fazer mais quilómetros e que a mesma não estava bem sinalizada mas tudo isto também é Caminho.
Mas vamos por fases.

Até Atapuerca é sempre sobre alcatrão

Os primeiros 3 kms até Atapuerca, famosa pelos seus achados arqueológicos que revelaram ao mundo que há mais de 1,2 milhões de anos que o homem habita a Península Ibérica. As escavações continuam e hoje o espaço arqueológico é Património da Humanidade da UNESCO. Infelizmente visitar o espaço implicava um significativo desvio e como tal seguimos caminho, prometendo a nós mesmos regressar um dia.

 

Após Atapuerca veio o troço mais exigente da etapa de hoje. Foi necessário vencer uma longa e rochosa colina o que nos obrigou a escolher bem o sítio para pôr os pés de modo a não torcer tornozelos ou resvalar nas pedras molhadas por causa da chuva.

 

 

Chegados ao topo aguardava-nos uma enorme Cruz de Madeira e o primeiro vislumbre da área metropolitana de Burgos. Lugar perfeito para a primeira pausa do dia!

 

Um banco depois de uma subida? Com vista e tudo? Não há peregrino que resista a uma tentação destas

A partir daí o caminho conduz-nos ao longo de extensos campos de cultivo para de seguida nos levar a passar por várias pequenas aldeias. Infelizmente a terra batida dá rapidamente lugar ao alcatrão e é sobre eles que atravessamos as localidades de Villalval, Cardeñuela Ríopico e Orbaneja Riopico.

 

 

 

Algumas centenas de metros mais à frente urgia tomar a primeira decisão do dia: seguir em frente em direção a Villafría ou virar à esquerda rumo a Castañares, opção que obriga a percorrer o perímetro de segurança do aeroporto de Burgos. É literalmente trocar o cantar dos passarinhos pelo ruído dos passarões.

Mas para quem, como nós, pretende entrar em Burgos a via terá de ser de sentido único rumo a Castañares, visto ser nessa localidade que se entra no passeio fluvial do Rio Arlanzón.
E como se já não bastasse o barulho dos aviões fomos ainda brindados com os resultados das chuvadas da última semana, ou seja a lama. Fomos até obrigados a andar pelos carreiros dos campos de cereais para contornar um enorme lamaçal.

 

Vedação do perímetro de segurança do aeroporto

Chegados a Castañares estavam já percorridos os primeiros 15kms do dia e os estômagos suplicavam por almoço. Não fizemos ouvidos mocos e fomos comer a um pequeno tasco de borda de estrada.

Igreja de Castañares

Uma vez o almoço comido era hora de regressar ao Caminho. As setas amarelas apontavam veemente para a N-110 mas não era por aí que queríamos avançar. Não existindo sinalização que indicasse o caminho alternativo tivemos de recorrer aos locais e perguntar as direções para as margens do Rio Arlanzón.

Felizmente fomos bem direcionados e rapidamente demos connosco a percorrer o passeio fluvial, trocando assim as buzinadelas pelo som retemperador das águas a correr, e os acinzentados arrabaldes de Burgos pelos verdejantes bosques que rodeiam o rio.

 

 

Chegamos a Burgos com as pernas pesadas do cansaço mas com o espírito leve. Tínhamos resistido ao autocarro e fintado a N-120 e esperava por nós um dia de descanso na glamorosa cidade de Burgos.

Entrada em Burgos pela Ponte de San Pablo ou Ponde del Cid
Praça de El Cid, o Afonso Henriques de Castela
Passeio del Espolón

 

Portão de entrada no centro histórico de Burgos

Motivos mais do que suficientes para acabar uma longa etapa com um enorme sorriso!

Etapa Anterior: De Villafranca de Oca a Agés
Etapa Seguinte: De Burgos a Rabé de las Calzadas
Veja ainda: Burgos


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5 COMENTÁRIOS

  1. Olá a ambos.

    Tenho estado a deliciar-me com a leitura desta vossa enorme aventura. Ainda vou a meio e já me apraz felicitar-vos! Dentro de três semanas irei iniciar, em Hendaya, a minha primeira peregrinação rumo a Santiago. Durante a planificação da minha rota deparei-me com esta alternativa do Passeo Fluvial. A vossa descrição reforça a minha vontade de seguir esta alternativa. A minha dúvida reside na facilidade ou não de nos perdermos nesse troço alternativo. Gostaria de obter um feedback vosso, se for possível.
    Saudações peregrinas

  2. Boa tarde Ricardo. Muito obrigado pelas suas palavras. Em relação ao passeio fluvial nós recomendamos vivamente. É uma excelente alternativa à penosa entrada em Burgos. Quando chegar à igreja de Castañares o melhor é perguntar a alguém indicações de como chegar ao passeio fluvial (tem um café/restaurante mesmo ao lado). É muito fácil de dar com ele e uma vez lá é só seguir o rio até Burgos, não há que enganar e é impossível perder-se. Qualquer dúvida que tenha teremos todo o gosto em ajudar a esclarecer. Abraço peregrino e votos de um Bom Caminho!

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