De Azofra a Santo Domingo de la Calzada (15km)

219km percorridos

594km para Santiago

Esta etapa foi marcada pelo contraste entre o exterior e o interior. Chuva, vento, frio, lama. Apesar de tudo parecer conjurar contra estes dois peregrinos, o admirável foi o espírito ter-se mantido positivo.

Lá diz a sabedoria popular, depois da tempestade vem a bonança e Alguém nos trouxe uma bonança interior, depois de na véspera termos quebrado as nossas regras básicas e deparamo-nos com as consequências disso.
Saímos de Azofra debaixo dum céu cinzento que não mostrava qualquer sinal de mudar de cara. E não o fez. As capas da chuva não mais foram despidas.
Brincávamos com os marcos que o governo de la Rioja montou no caminho informando dos quilómetros que ainda faltavam até Santiago: talvez uma forma de não desencorajar o peregrino, pensávamos nós, já que pelas nossas contas faltavam ali uns quilometrozitos.
Se é bom que o Caminho siga pelos carreiros da lavoura, todos sabemos que terra batida e chuva, só pode resultar em lama.
E a “bendita” foi duma tenacidade admirável: nunca largou as nossas botas contribuindo para o espírito de sacrifício. Por momentos pensávamos que nos queria abandonar, mas logo veio asseverar a sua presença.
Fazer pausas numa peregrinação é imprescindível. E nós já adivinhávamos que a deste dia seria de arromba! Só há uma povoação entre Azofra e Santo Domingo de la Calzada, a aldeia de Cirueña que, supostamente, tinha um parque de merendas antes da entrada. Na verdade, deparámo-nos com quatro bancos de cimento onde mal deu para comer e descansar porque a chuva não dava tréguas. 15 minutos de paragem em 15km? Claramente insuficiente.
Transposta a aldeia de Cirueña, voltamos a adentrar-nos pelos campos de cultivo onde as vinhas começam a dar lugar às searas.
Mais uma hora e meia e estaríamos a entrar em Santo Domingo de la Calzada, uma das povoações mais emblemáticas do Caminho Francês. Não sem antes transpormos as várias colinas que dela nos separavam em mais um típico sobe-e-desce do Caminho.
Depois de nos recompormos com um simples mas bem confecionado menu do peregrino, de verificarmos que as bolhas do Alexandre não tinham piorado (graças a Deus!), e de darmos aos pés algum descanso, fomos explorar as ruelas do “casco viejo” desta simpática localidade.
Santo Domingo é um dos grandes benfeitores do Caminho. Fundou a povoação em 1044, tendo mandado construir uma ponte sobre o rio Oja para facilitar a passagem aos peregrinos. Dedicou toda a sua vida a acolher e prestar auxílio aos peregrinos.
Sobre o seu túmulo foi erguida a Catedral homónima (os peregrinos têm desconto no preço da entrada) onde encontramos algo insólito.
Uma gaiola com um galo e uma galinha brancos, em memória da lenda da galinha que cantou depois de assada, uma espécie de versão espanhola da nossa lenda do galo de Barcelos.

Diz-se que o peregrino que oiça o galo cantar, terá sucesso na sua peregrinação. No caso de estarmos um pouco moucos de ouvido, o galarote resolveu brindar-nos com oito belos cacarejos!

Etapa Anterior: De Ventosa a Azofra
Etapa Seguinte: De Santo Domingo a Villamayor del Rio


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2 COMENTÁRIOS

  1. Boa tarde vagamundos, que belo relato e paisagens. Em 2010 fartei-me de dizer ao meu marido que um dia queria fazer o caminho, mas outros caminhos me estavam reservados, uma vez que engravidei(vontade nossa) e portanto nos próximos anos não poderei envolver-me em tal aventura. ser mãe é na verdade a maior aventura que conheço…até à data.
    Gosto muito da vossa partilha.

    Isabel

  2. Olá Isabel. Muito obrigado pelo seu comentário. Ficamos sempre muito contentes por receber feedback de quem nos lê 🙂
    Quanto ao vosso Caminho de Santiago, um dia vai com com certeza surgir a oportunidade para o percorrerem a dois. E afinal de contas diariamente percorrem a dois o grande Caminho da Vida nessa grande aventura que é a maternidade/paternidade. Felicidades para os três!

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