De Carrión de los Condes a Calzadilla (17,5km)

402km percorridos

411km para Santiago

Pela manhã não acordámos para um dia soalheiro, não sentíamos ânimo em dar mais um passo, não estávamos ansiosos pelas paisagens, não tínhamos o corpo recuperado. Honestamente, não acreditávamos que conseguíssemos superar a dura etapa do dia.

Mosteiro de San Zoilo à saída de Carrión de los Condes

Para começar, tínhamos pela frente um troço de 17km de Meseta sem uma única povoação, sem fontes de água, sem abrigos de paragem. É preciso recuar até à travessia dos Pirenéus para encontrar um troço tão extenso sem serviços. Isto implicava carregar mais as mochilas com água e comida do que o habitual. Ora, no estado em que o Alexandre tinha o pé, colocar mais peso na sua mochila equivalia a dobrar o esforço ao caminhar, correndo o risco daquele ser o nosso último dia no Caminho.

Para agravar mais as coisas, o Alexandre mal dormiu nessa noite vendo-se obrigado a começar o dia já estoirado e de cabeça a zunir. O meu sono foi irregular tendo contribuído para a apreensão e desânimo.

Bastou uma hora com apenas 5km andados em alcatrão para nos vermos obrigados a fazer a primeira paragem. Tivemos que pedir encarecidamente ao empregado da Abadia de Benevivere que nos deixasse usar um banco do jardim pois não havia uma única pedra no Caminho onde o Alexandre se pudesse sentar. Lá deixou, mas não sem antes nos avisar que estávamos em propriedade privada e que ali não era um espaço público para os peregrinos.

Umas centenas de metros adiante, largamos o alcatrão para entrarmos na Via Aquitana, a milenar estrada romana que unia Bordéus a Astorga. Seriam 12 longuíssimos e penosos quilómetros.

O vento que nos fustigara na véspera não nos deu descanso, era irregular e dum frio cortante. Só conseguimos fazer mais 5km até encontrarmos uma mesa e uns bancos de cimento onde tivemos que parar novamente.

Ainda faltavam mais 7km daquele troço de retas infindas. O desânimo era de tal forma atroz que cada passo dado custava mais do que o anterior. As horas custaram a passar, pareciam uma eternidade.

Na minha cabeça, pus em causa todo o esforço despendido, todas as lições aprendidas, toda a fé que me impulsionara a encetar o Caminho. A força de vontade esvaía-se… Instalou-se uma dúvida feroz se no dia seguinte continuaria o Caminho.

Parecia que andávamos a somar dias de provação. Se a jornada da véspera havia sido difícil, esta não lhe ficou nada atrás.

Fisicamente exaustos e espiritualmente enfraquecidos, lá conseguimos chegar a Calzadilla de la Cueza e completar aquela que seria a etapa simbólica do “meio Caminho andado”. É verdade, percorrêramos metade do Caminho. Por um lado, estávamos admirados por termos conseguido chegar tão longe, mas por outro, assustava-nos bastante pensar que faltava outro tanto. Foi preciso a fé e a esperança do Alexandre num dia positivo para voltarmos a acreditar que podíamos ir mais além.

Etapa Anterior: De Población de Campos a Carrión de los Condes
Etapa Seguinte: De Calzadilla de la Cueza a Sahagun


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4 COMENTÁRIOS

  1. Olá Clara!
    E não desistimos! Nem sempre é fácil manter o pensamento positivo. O acumular de situações leva-nos quase a "deitar a toalhão ao chão"… mas agarramo-nos aquilo que nos impulsiona sempre para a frente: o nosso Amor.
    Beijinhos

  2. Olá Bia!
    Como dizem os espanhóis: Camino duro! O Caminho de Santiago foi , e é, bem duro… mas sem dúvida que compensa muito as provações por que se passa.
    Beijinhos

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