De O Cebreiro a Fillobal (18km)

668km percorridos

145km para Santiago

A região da Galiza do Caminho Francês de Santiago é sobejamente conhecida por ser uma das mais difíceis de atravessar para o peregrino que, como nós, começou em Saint-Jean-Pied-de-Port. Se a debilidade física, as tendinites ou as bolhas infetadas ainda não obrigaram o peregrino a desistir, as probabilidades disso acontecer nos montes da Galiza são elevadas. O clima também não ajuda pois é duma imprevisibilidade tremenda: no mesmo dia podemos enfrentar as quatro estações dum ano.

Para fazer jus a tal fama, no dia da nossa estreia de travessia da Galiza ficámos de queixo caído mal saímos à rua: a neblina era tão densa que mal víamos um palmo à frente do nariz. Tínhamos que estar de olho bem aberto porque facilmente poderíamos perder as indicações do Caminho.

A chuva também foi uma constante deste dia. Mansinha ao início mas engrossando a meio da manhã. Uma chuva fria que ao bater nas mãos, enregelava-as. Só quase no fim da etapa é que umas abertas deixaram uns tímidos raios de sol aquecer-nos o corpo.

Igreja pré-românica de Santo Estevo de Liñares

Se a dureza da subida da véspera é evidente, as abruptas oscilações no declive desta etapa são igualmente difíceis. Logo à saída de O Cebreiro há que subir até aos 1370m – o ponto mais alto do Caminho Francês na Galiza – e passar ao largo do Teso da Cruz no monte Area.

Temos depois a enganosa sensação que vamos começar a descida. Passado Liñares, impõe-se subir ao alto de San Roque que não demora muito a aparecer, e onde um peregrino medieval que avança contra o vento foi imortalizado numa estátua de bronze por María Acuña.

Nova descida conduz-nos a Hospital de la Condesa. Aqui tivemos que parar no único mesón aberto da povoação. Estávamos enregelados e todos molhados. Soube bem entrar naquele café da terriola onde o ambiente era aquecido pelo calor da madeira que queimava na salamandra e pelas conversas sonoras entre os pastores da terra. Comemos umas tostadas. Era o que havia.

Seguimos tranquilos até Padornelo onde há que enfrentar uma duríssima subida até ao Alto do Poio.

Subir aquela encosta não foi tarefa fácil. Contudo umas palavras de ânimo ajudam, e muito, chegar ao topo que minutos antes tantos medos havia ressuscitado.

Pouco antes de chegarmos a Fonfrias, a chuva abrandou e uns rasgos nas nuvens permitiram ver o sol, o que muito nos animou. O cenário também ajudou a pôr o espírito em alta. Eram quilómetros de montes verdejantes a perder de vista. Foi uma paisagem magnífica que nos transmitiu paz e tranquilidade a que nos acompanhou até Fillobal.

Optámos por terminar a etapa em Fillobal em vez de Triacastela para fugirmos às enchentes de peregrinos. E ainda bem que o fizemos porque fomos muito bem acolhidos no albergue, um dos melhores que encontrámos no caminho. Ao contrário da plasticidade de O Cebreiro, Fillobal é uma verdadeira aldeia galega com vida, onde ainda resistem os pastores conduzindo as suas vacas cor de mel para os pastos ou currais.

Descansámos as pernas na esplanada do bar-parrillada Aira do Camiño durante a tarde e regressámos para um delicioso jantar servido com simpatia. À noite partilhávamos as nossas reflexões sobre o Caminho ser uma metáfora da vida. Um afirmava: às vezes não conseguimos ver muito longe no futuro, como nas curtas curvas e declives do Caminho. Outras vezes conseguimos ver muito além o que nos pode acontecer, como nas longas planícies da Meseta. O outro replicou de imediato: “Posso fazer uma previsão futurista? Amanhã sei bem o que nos espera: dores nas pernas!” Desatamos a rir. Foi neste espírito descontraído e alegre que deitamos a cabeça no travesseiro, com duas certezas futuristas: amanhã vamos continuar o nosso Caminho do Amor e vamos ter dores nas pernas.

Etapa Anterior: De Villafranca del Bierzo a O Cebreiro
Etapa Seguinte: De Fillobal a Sarria


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6 COMENTÁRIOS

  1. Cheguei a um momento na vida em que questiono as perguntas e questiono as respostas…por isso limito-me a viver….vivam vocês também amigos, porque alguns apenas existem. Cordialmente, José Alberto. (Um grande Boa Tarde para a Clara, porque ela também vive, e bem.)

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