De Pamplona a Puente La Reina (25km)

94km percorridos

719km para Santiago

Partimos de Pamplona bem cedo pois sabíamos que tínhamos pela frente um dia longo, exigente e de enorme simbolismo com a subida ao Alto do Perdão, um dos ícones do Caminho.

Mas felizmente os Deuses estiveram connosco ajudando-nos a chegar ao nosso destino sem danos de maior. E uma das grandes ajudas foi sem dúvida a ausência de chuva. Depois de dois dias de dilúvio o São Pedro decidiu fechar as torneiras.

Saída de Pamplona
Ponte de Acella

Foi por isso com redobrado ânimo que deixamos para trás Pamplona rumo a Cizur Menor, onde fizemos a primeira pausa do dia e nos voltamos a cruzar com uma amiga peregrina australiana, que caminhou uma boa parte do dia connosco.

A partir de Cizur Menor o Caminho abandona definitivamente o núcleo urbano de Pamplona e conduz-nos por uma imensidão de searas, onde floresce a Primavera. O barulho dos carros dá lugar ao cantar melodioso dos pássaros, e o corrupio citadino ao sossego do campo. O espírito flutua, o corpo está mais leve. Sente-se o toque divino! Foi assim que, entregues à meditação e oração percorremos os 6kms que separam Cizur de Zariquiegui, a última localidade antes do Alto do Perdão.

 

 

 

Era altura para mais uma pausa, até porque por esta altura já havíamos superado mais de metade da grande subida do dia (desnível de 300 metros) se bem que o troço com maior declive ainda estava por vir. As mesas do albergue de Zariquiegui foram o lugar perfeito para pousar as pesadas mochilas e comer algo.

San Adrés em Zariquiegui

Forças repostas, era chegada a hora de vencer o último troço da subida ao topo da Serra do Perdão. O declive acentua-se e o trilho endurece à medida que caminhamos até à “fuente de Gambellacos”.

 

Conta a lenda que neste lugar o diabo ofereceu água a um sedento peregrino em troca da sua renúncia a Deus, a Maria e a Santiago. O peregrino, apesar de estar moribundo, cedeu à tentação e declinou a oferta. Foi-se então o diabo e no seu lugar brotou uma fonte.

Com esta lenda a ecoar-nos na mente vencemos os últimos metros da subida. Finalmente havíamos chegado ao topo do Alto do Perdão. Foi com grande alegria e emoção que nos deixamos maravilhar pela sublime vista e contemplamos a famosa escultura de Vicente Galbete, que exibe uma caravana de peregrinos de destintas épocas, retratando assim a evolução do Caminho ao longo dos tempos.

Ainda que efemeramente, não resistimos a fazer parte deste destinto grupo de peregrinos. Fica a fotografia para a posteridade!

A subida já estava mas o pior ainda estava para vir: a ingreme descida do Alto do Perdão com os seus milhares de pedras soltas. Uma queda podia significar o fim da peregrinação. Por isso redobramos a cautela e fizemos a descida muito lentamente.

Demoramos mais tempo a descer do que a subir e ao atingirmos a localidade de Uterga (que fica apenas a 3 kms do topo da Serra do Perdão – desnível de 250 metros) tínhamos as pernas a bambolear e os joelhos a pedir descanso.
Mas ainda nos faltava 7 kms até Obanos (o nosso objetivo primário do dia) e mais de 10 kms até Puente La Reina (onde sonhávamos poder chegar).

Não eram números nada animadores tendo em conta o nosso estado físico e como havia um albergue em Uterga estivemos quase por ceder à tentação de pernoitar por ali.
Mas assim como o velho peregrino não cedeu à tentação da água também nós não cedemos à tentação do descanso e seguimos caminho rumo a Obanos, local de união entre o Caminho Francês e o Caminho Aragonês.

A caminho de Obanos

 

Mais uma pausa, desta vez em Muruzábal, a terra que antecede Obanos

Chegamos a Obanos em plena ora da “Siesta”, ou seja a localidade estava completamente deserta. Há exceção de um par de peregrinas francesas não se via viva alma! Parecia que estávamos a caminhar numa cidade fantasma. Decidimos então analisar o nosso estado físico e como ainda nos sentíamos com coragem decidimos avançar até Puente La Reina. Foi uma real estirada!

 

 

Alcançamos o albergue de peregrinos de Puente (que fica à entrada do da localidade) mais vivos do que mortos e pior ficamos quando nos disseram que o mesmo estava “completo”.
Não nos restou outra saída a não ser rumar ao centro e andar de café em café a indagar por um quarto para alugar.

Acabamos por ter sorte à terceira tentativa e lá fomos conduzidos pelo taberneiro até à casa de uma senhora que nos recebeu lindamente e que pouco nos cobrou pela estadia. Era o merecido descanso depois de um rigoroso e emotivo dia!

Etapa Anterior: De Trinidad de Arre a Pamplona
Etapa Seguinte: De Puente la Reina a Vilatuerta


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