De Rabé de las Calzadas a Hontanas (19km)

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329km percorridos

484km para Santiago

Após um dia de desencanto, acordámos para um dia de serenidade.

Um céu azul pincelado de nuvens brancas, os campos verdejantes a perder de vista, as searas envolvidas numa constante dança com o vento frio, o canto de pássaros a marcar o compasso da banda sonora da Natureza, assim celebrávamos a nossa terceira semana no Caminho.

Arrancámos cedinho para podermos aproveitar melhor o tempo de descanso no destino dessa jornada.

Afinal de contas a gripe não se cura durante uma noite e o cansaço muscular obrigaria o corpo a redobrada tarefa.

Em pouco tempo alcancámos o alto donde se vislumbra o imenso vale que alberga o povoado de Hornillos del Camino. Tivemos que abrandar o passo na pedregosa descida apelidada de Matamulos. É claro que nos pusemos a especular sobre o porquê de tal nome.

Chegados a Hornillos, fizemos a primeira pausa do dia para retemperar forças. Em contraponto, uma dúzia de peregrinos franceses, bem mais frescos que nós, apeavam-se das suas autocaravanas para iniciarem ali o seu percurso.

Saídos da povoação, fomos percorrendo as suaves descidas e subidas dos montados que constituem a Meseta e que permitem a visão espantosa do Caminho em extensões a perder de vista.

É verdade que se diz que a Meseta é plana, o que até aceitámos visto que já havíamos atravessado as montanhas dos Pirenéus. Mas, na realidade, há sempre um outro desnível, por vezes bem acentuado, como viríamos a descobrir no dia seguinte.

Em cerca de 12km feitos a única “decoração” paisagística são umas solitárias árvores no meio dum enorme campo de cereal ou os montes de pedras que os agricultores vão juntando na borda do Caminho. Mas quando o cenário é este, não nos podemos queixar.

Cruz de Santiago, 700m antes do vale de San Bol

 

Chegava-se a hora do nosso almoço de peregrino: umas sandocas, fruta e água. Sem sombras ou lugares decentes para a paragem, e porque o vento frio exigia um resguardo mais abrigado, resolvemos fazer o desvio até ao albergue de San Bol. E em boa hora o fizémos. O albergue é tão isolado e tranquilo que acaba por ser agradavelmente convidativo. À sua beira corre o rio San Bol, de águas cristalinas e fresquíssimas. O vento soprava harmoniosamente na folhagem das frondosas árvores – as únicas numa extensão de quilómetros – e, apesar de estar fechado, a mesa debaixo do telheiro foi perfeita.

Faltavam ainda cerca de seis quilómetros até Hontanas e, com alguma pena, deixámos San Bol.

Os trilhos denunciavam dureza. As chuvas da semana anterior haviam empapado a terra, os rodados dos tratores e das bicicletas haviam desferido profundos sulcos. Com o sol, a terra depressa secara tornando os sulcos duros como pedra, logo, tornando a tarefa mais árdua para os pés. Havia que procurar o carreiro mais cómodo.

A cerca de meio quilómetro de Hontanas víamos a placa mas nem sombra da povoação e ficámos na dúvida: onde se esconderia a terra? E a torre da igreja que é normalmente a primeira coisa que se vê à distância?

É que Hontanas fica bem escondidinha num enorme vale. E só damos por ela quase à entrada. Daí que tenha sido uma alegria e alivio estarmos já tão perto do merecido repouso que o corpo implorava.

Hontanas ficou-nos gravada na memória por termos reencontrado alguns dos peregrinos que cruzamos nos dias anteriores e que fazem parte do nosso Caminho.

Etapa Anterior: De Burgos a Rabé de las Calzadas
Etapa Seguinte: De Hontanas a Itero de la Vega


Clique para ler o nosso Guia do Caminho Francês


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