De Saint-Jean-Pied-de-Port a Roncesvalles (26Kms)

saint jean pied de port roncesvalles 26km

Para llegar a Santiago como un joven – empieza el Camino como un viejo.

Esta foi a máxima que seguimos no nosso Caminho. A verdade é que conseguimos chegar a Santiago e pelo menos em espírito chegamos rejuvenescidos!

camino-frances-santiago-pirineus

Os peregrinos que partem da vila medieval francesa de Saint-Jean-Pied-de-Port (SJPP) rumo a Roncesvalles têm obrigatoriamente de atravessar os Pirineus. Para tal têm duas opções. A Rota de Napoleão que atravessa a montanha ou a rota de Valcarlos que grosso modo acompanha a estrada N-135.

A Rota de Napoleão é um pouco mais longa que a de Valcarlos e tem um desnível de 1265 metros. A cota máxima do caminho a situar-se no Collado Lepoeder a 1430 metros de altitude. Até lá são 20kms sempre a subir. No caso da Rota de Valcarlos o desnível fica-se pelos, também, impressionantes 895 metros. A primeira rota é indubitavelmente mais dura mas também é aquela que presenteia o peregrino com algumas das mais espetaculares vistas de todo o Caminho Francês.

O problema é que para além da dureza a rota de Napoleão é bastante perigosa. Há tragédias com a perda de vidas e salvamentos “in extremis” de peregrinos mais incautos. Como tal encontra-se fechada muitas das vezes. No inverno praticamente está sempre fechada. Na primavera e no outono também sucede com muita frequência.

E mesmo quando a passagem pela montanha está aberta é preciso ter em consideração que o tempo é extremamente incerto. Um dia de verão em SJPP pode rapidamente transformar-se num dia invernal na serra. Aí, não só não se consegue usufruir das vistas, como torna-se numa rota extremamente penosa. Ter em atenção também que ao longo de 18kms, entre Orisson e Roncesvalles, não existe qualquer localidade, ao contrário do que acontece na rota de Valcarlos. Há apenas uma fonte com água potável (Fonte de Roland), que pode estar seca durante o pico do Verão. Como tal o peregrino deve ir munido de água e mantimentos, o que vai necessariamente aumentar o peso da mochila e tornar ainda mais penosa a já de si difícil etapa.

Nós tínhamos planeado seguir a Rota de Napoleão, quebrando a etapa em dois e pernoitando em Orisson que fica a somente 8kms de SJPP. Este troço é o que apresenta o ascenso contínuo mais íngreme dos Pirineus – 650 metros de desnível em somente 8kms. Como já estávamos em Maio supusemos que não haveria problemas meteorológicos de maior mas enganámo-nos redondamente. Somente 4 dias antes de chegarmos a SJPP a Rota de Napoleão encontrava-se encerrada devido a um forte nevão. Tendo isso em conta estivemos a considerar seguir a Rota de Valcarlos e só não a fizemos pois fomos convencidos pelo centro de acolhimento de peregrinos de SJPP a fazer a Rota de Napoleão. Disseram-nos que iam estar dois dias de excelente tempo e que estávamos a desperdiçar uma oportunidade de ouro de atravessar os Pirenéus com boas condições.

Decididos a arriscar seguir pela Rota de Napoleão, arrancámos de SJPP passavam pouco mais das 8.30 do dia 5 de Maio de 2013. O dia brindou-nos com uma espessa neblina e logo colocamos em causa a nossa decisão.

As sábias palavras “o tempo na montanha muda subitamente e é imprevisível” ecoaram pelas nossas cabeças à medida que íamos atravessando as empedradas ruas medievais de SJPP. Ainda estávamos a tempo de seguir pela rota de Valcarlos… mas optamos por arriscar seguir pela montanha deixando nas mãos de Santiago o nosso destino. Em boa a hora o fizemos!

SJPP, a hora da partida

À medida que íamos superando as primeiras subidas, com os chocalhos dos invisíveis animais e o cantar dos pássaros como banda sonora, a neblina começou a dissipar-se e com ela as nossas dúvidas. O Caminho obrigou-nos a superar íngremes e pedregosas subidas mas presenteou-nos com um tempo maravilhoso e com vistas de outro mundo durante a nossa passagem pelos Pirineus.

Fosse a vida sempre assim tão justa… era bom que os nossos esforços, a nossa persistência e coragem fossem sempre assim recompensados… nestes dois primeiros dias de Caminho fomos e só podemos estar agradecidos por isso.

Talvez o problema esteja muitas das vezes na leitura das recompensas. Quantas vezes sentimos que é uma recompensa pelos nossos esforços termos a oportunidade de contemplar a natureza em todo o seu esplendor, sentir o calor do sol, saborear a suave brisa que faz dançar as árvores , apreciar um pôr-do-sol na companhia de quem mais amamos? Talvez o problema esteja em não darmos valor suficiente às pequenas coisas, à simplicidade. E também ao facto da vida moderna nos ter dado como dado adquirido tantas coisas, demasiadas coisas.

 

 

 

 

 

 

Para apreciar o sol é preciso muitas das vezes andar à chuva, para apreciar o calor é preciso passar frio, para valorizar a água é preciso passar sede.

Esta foi uma das muitas lições que nos deu o Caminho!

Anabela a preparar-se para mais uma das muitas subidas que separam SJPP de Orisson

Albergue de Orisson, onde passamos a nossa primeira noite no Caminho
Depois de Orisson… as subidas continuam
Imagem da Virgem de Biakorri – um dos marcos do Caminho na sua passagem pelos Pirineus

Cruz de Thibault

Fonte de Roland – o único lugar com água potável entre Orisson e Roncesvalles

Entrada na Espanha, mais concretamente em Navarra

Refúgio Izandorre para usar em caso de emergência – 3 coreanos foram salvos graças a ele este Inverno

Alexandre no Collado Lepoeder, a cota máxima do Caminho de Santiago nos Pirineus, a 1430 metros de altitude

Muito ao fundo, no vale já se vislumbrava Roncesvalles – só era preciso descer 500 metros ao longos dos próximos 6kms. Nunca acreditem em quem vos dizer que a descer é mais fácil! Os joelhos que o digam!

Finalmente a Real Colegiata de Roncesvalles, o nosso albergue. Tinha chegado ao fim a etapa dos Pirineus. E foi mesmo na hora, pois não demorou muito a ferrar-se a chover!

Etapa seguinte: De Roncesvalles a Zubiri


Clique para ler o nosso Guia do Caminho Francês


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16 COMENTÁRIOS

  1. Em abril mais precisamente dia 4 farei esta rota se Santiago me permitir. Desde que vi pela primeira vez os Pirineus me apaixonei. Vou entender se tiver que fazer outra rota mas ficarei triste. Contando os dias para a largada.

    • Olá Rosangela! Atravessar os Pirineus é fantástico. Esperamos que o tempo esteja de feição e que consiga seguir esta rota. Bom Caminho!

  2. Oi Rosangela,
    Irei com meu amigo Azevedo comecando em 07 de abril. Ja fiz o Caminho Portugues em abril 2015.
    Que San Tiago te proteja e com certeza encontraremos no Camino!!

  3. OlaVagamundos!
    Apesar dos meus 65 anos de idade , tenho bom prepao fisico. Acabei de fazer o caminho portugues.Penso em fazer oCaminho Frances, em maio de2017. E como nao conheco ninguem q se dispoe a faze lo comigo, irei so. Tem algum perigo alem das incertezas climaticas?

  4. Nossa, mal comecei a ler todo o relato e já gostei. E é EXATAMENTE a época que tenho disponível de minhas férias para fazê-lo. Irei pegar muitas dicas daqui já vou avisando rs… Já dou meus parabéns e muito obrigado,

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