Do Covão do Coelho ao Santuário de Fátima

Este foi o último troço do Caminho do Tejo que fizemos e já começávamos a sentir a ansiedade de quem quer chegar ao destino. Infelizmente a chuva não nos largava e ao sairmos do Covão do Coelho recomeçou a chover copiosamente.

Entrámos novamente em trilho de terra batida para nos depararmos com mais uma subida exigente. Eu procurei acompanhar sempre a passada do Alexandre que me abria o caminho, nem sempre o consegui. Aqui e ali uma seta, um borrão de tinta azul ou amarela, um marco, uma letra F ou S, uma vieira pintada… todos estes sinais eram as indicações para Fátima e faziam-nos ganhar confiança de que estávamos no caminho certo.

Entre os momentos de reflexão e silêncio, outros momentos em que, lado a lado, partilhávamos os nossos pensamentos, inquietudes, alegria pelas pequenas conquistas do dia. A chuva parecia não nos querer largar enquanto subíamos por caminhos sem nome, com o zumzum dos moinhos de vento como som de fundo, pelo meio do mato.

De repente, a chuva parou e sentimos uns raios de sol a aquecer o corpo molhado e arrefecido pela chuva. Ficámos gratos. Os eucaliptais e tojais deram lugar a terrenos cultivados, sinal de que estaríamos próximos do nosso primeiro ponto de paragem da tarde, a Giesteira.

A rotina das paragens repetiu-se, cuidar do estômago e cuidar dos pés. Estávamos mais sossegados com as bolhas do Alexandre que não pioravam, o que era um óptimo sinal.

Novamente a caminho, uns quilómetros após sairmos de Giesteira, o caminho de terra batida desembocou numa estrada velha de asfalto. Estávamos nas cercanias de Crespos. E começou um momento de boa disposição que nos acompanharia até ao Santuário, com o Alexandre a “implorar” por um snack-bar. Foi aqui que os meus pés começaram a denunciar o cansaço. Os tornozelos já me doíam desde o dia anterior, mas minimizei as dores alargando um pouco o cano das botas. Mas contra estas dores dos pés, nada consegui fazer. Conhecendo-me como conheço já sabia que me haviam de acompanhar até Fátima.

A longa estrada velha de asfalto dá acesso à aldeia de Casal Velho.

Atravessámos Casal Velho e, seguindo as indicações, chegámos a um largo onde a aldeia erigiu uma pequena ermida com a imagem de Nossa Senhora de Fátima. Aqui uma pausa muito breve para Lhe dizermos que estávamos a chegar.

Desde Casal Velho até ao Santuário, o caminho é todo feito por asfalto. Era o piso que mais temíamos nesta peregrinação, o Alexandre porque lhe piora o estado das bolhas, eu porque me agudiza as dores na palma dos pés. Deve ser por isso que este me pareceu ser o pedaço de caminho mais longo, apesar de ter deixado para trás mais de 70km.

Precisávamos de parar novamente pois já levávamos mais de duas horas sobre as pernas. O snack-bar nunca apareceu pelo caminho, mas o toldo, a mesa e cadeiras de esplanada do Restaurante Tino que, nem de propósito, tinha fechado para férias nesse dia, foram a nossa salvação pois recomeçava a chover. Tratámos de restabelecer energias e, a medo, questionámos quanto tempo nos faltaria. Pusemo-nos a fazer adivinhação e calculamos que teríamos mais uma horita pela frente. Mas assim que nos preparamos para arrancar, eis que mesmo à nossa frente víamos a Cruz Alta. Foi uma alegria incalculável e abraçámo-nos emocionados.

Uns escassos metros à frente deparávamo-nos com o parque de estacionamento do Centro Pastoral Paulo VI e entrámos no recinto do Santuário de Fátima rodeando a Igreja da Santíssima Trindade.

Chegados ao topo do recinto, vimos os nossos pais lá bem ao fundo, ao pé da Capelinha das Aparições. Obviamente que o reencontro se revestiu de emoção, e dalguma tranquilidade da parte deles pois passaram o dia preocupados connosco, “perdidos” pelo meio dos serrados e encharcados pela chuva.

 

Chegámos mesmo a tempo da recitação do terço na Capelinha, as emoções ainda bem vivas, agradecemos a ajuda indescritível dos pais, rezámos pelos que no nosso caminho nos pediram uma oração, sentimos o júbilo do peregrino ao chegar ao seu destino, e a satisfação de termos cumprido aquilo que três anos antes havíamos iniciado… três anos durante os quais a nossa vida deu tanta volta!

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5 COMENTÁRIOS

  1. Queridos Vagamundos, só quem nunca fez uma peregrinação com o coração cheio de amor é que não se emocionará com o relato da Anabela! É duro… dói… mas o fim compensa e a alegria é imensa!
    Já há muitos anos, nos tempos de estudante de Coimbra experimentei a peregrinação a pé e noutro ano a de pica bolhas e massagista de pés! Que boas recordações! Este ano se Deus quiser em Agosto vou de Valença a Santiago de Compostela a pé, depois vos contarei.
    Obrigado pela generosidade de partilharem estes momentos da vossa vida!!!

  2. Olá Clara. Obrigado nós por nos teres acompanhado nos nossos relatos!
    Bjs

    Olá Abelha Rainha. O nosso sincero obrigado pelas tuas palavras! Esperemos que os nossos relatos ajudem aqueles que precisam de arranjar a coragem necessária para fazerem o seu caminho. Então, costureira de bolhas e massagista para além de peregrina? 🙂 já sabemos a quem vamos pedir as dicas para curar mazelas quando formos a Santiago… E provavelmente não tardaremos a meter pés ao caminho outra vez 😉
    Bjs

  3. Parabéns, que belo relato da vossa peregrinação! o que mais me inquieta, para além da pernoita, são mesmo os abastecimentos, é fácil arranjar onde comer nas 2 últimas etapas? É só mato e mato! 🙂
    Felicidades !

  4. Olá Luis Fonseca!
    Obrigado pelas suas palavras! Na quarta etapa encontra onde almoçar nos Casais da Milhariça (churrasqueira Floresta) que fica mesmo no caminho sem precisar de se desviar. No Arneiro das Milhariças há dois bares onde dá para petiscar. Nós seguimos o Caminho do Tejo por Monsanto para dormir no fim da etapa. Não nos arranjaram. Mas se soubéssemos tínhamos tomado a alternativa para Alcanena (onde pernoitámos) que está muito bem sinalizada no Caminho do Tejo. Em Alcanena não lhe faltam restaurantes para jantar e mini mercados para se abastecer para o dia seguinte.
    Um abraço

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