Dolce Vita – Alpaca e Danças Andinas

Na nossa noite em Aguas Calientes procurávamos algo de realmente típico, de forma a podermos sentir um pouco mais as tradições das gentes andinas. Também o objectivo da nossa busca duma novidade culinária, estava bem definido: alpaca – animal da família dos camelídeos, muito parecido com a Lama.


Após um pequeno passeio pelas ruelas da pequena aldeia, encontramos aquele que nos pareceu ser o lugar perfeito para um serão perfeito. Um restaurante, que para além de possuir uma decoração típica e acolhedora, possuía bem no centro da sala de jantar, uma parrilla à antiga, ou seja ainda alimentada a cavacos de madeira e não a gás canalizado ou carvão tratado.

Daqui saiu directamente para a nossa mesa um delicioso, generoso e suculento bife de alpaca. E sublinhamos o suculento sem desmérito do delicioso. Para quem seja bom garfo, nada como dizer: é de comer e chorar por mais. Outra pérola gastronómica andina. Para apurar o paladar, e juntar mais um prazer terreno ao banquete, um bom vinho chileno. Haviam-nos despertado a curiosidade para o Undurraga, seguimos a sugestão e não nos arrependemos.

Dos sabores avançamos para as cores!

Como acompanhamento da já referida refeição de alpaca, assistimos a uma actuação de música e danças andinas.
Os sons já nos eram familiares. Tanto dos passeios pelas ruas de Aguas Calientes como de Cusco, havíamos já “saboreado” alguma música tradicional da região. O mais interessante e surpreendente é que, desta feita, os nossos artistas nos brindaram cantando em Quechua, ou melhor dizendo, num dos seus 46 dialectos. O Quechua é uma língua milenar que precede o império Inca e é falada ainda nos nossos dias na zona central dos Andes. Peru, Bolívia, Colômbia e Equador são alguns dos países que ainda guardam bem viva a memória linguística. Só no Peru estima-se que mais de 3 milhões ainda utilizam o Quechua como língua de comunicação no seu dia-a-dia.

Para presentear os turistas entram em cena dois casais de dançarinos. A música, aliada à jovialidade dos dançarinos, invadiram a sala de alegria e atraíram ao exíguo espaço da porta de entrada uns rostos pequeninos, de olhos curiosos e atentos. O espaço encheu-se de cor. A cor é sem dúvida uma característica indissociável do trajar dos peruanos, quer nos trajes tradicionais e domingueiros, quer na roupa da vida diária de labuta. E são exactamente “retratos” da vida que são transformados em dança colorida: o rapazola fazendo a corte à jovem envergonhada, o primeiro beijo roubado, a indolor estalada como resposta ao abuso, os arrufos de namorados com elas a repreenderem a bebedeira agarrada com os amigos. Impossível não reagir com uma gargalhada sonora às “leoas” defendendo o seu homem dos arrojos da outra.

Cor, movimento, sons, música… ingredientes agradavelmente combinados que fizeram deste momento mais um retrato para juntar ao nosso álbum de memórias.

 

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7 COMENTÁRIOS

  1. Ora nem mais! Turismo na verdadeira acepção da palavra.

    Confesso que fiquei a salivar com a visão do belo naco de carne no prato:) Já não bastava a mesma, ainda tivemos que levar com a descrição sumarenta.

    Abriu-me o apetite:)

    Belo album de memórias que vocês vão construindo!

  2. Olá Carriço. Nos também não nos atreveriamos a colocar os nossos dois pés esquerdos na pista 🙂 Ficamo-nos pela mesa a assistir, que nisso somos bons 🙂
    Abraço

    Olá Paulo. De apetite aberto ficamos nós com o caril da Mãe 😉 Obrigado por partilhares das nossas memorias.
    Abraço

    Olá Valentim. A intenção é mesmo essa, dar a conhecer um pouquinho do Peru e abrir o "apetite" para uma visita.
    Abraço

  3. Que delícia de experiência! Aqui temos bastantes cores. Infelizmente não temos é suculentos bifes de… nada! A carne quando existe, é cozinhada ao ponto de ser irreconhecível. Será que as Alpacas se dariam por cá? questino a salivar em directo da India…

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