Os melhores Castelos do Deserto da Jordânia

castelos do deserto

A atracção que os beduínos sentem pelo deserto é um enigma. Contudo, ao longo dos séculos, uma invocação oculta compele estes povos nómadas a percorrer centenas de quilómetros de território árido e hostil sob um sol inclemente. É precisamente nesse território hostil que se pode encontrar os mais bonitos castelos do deserto da Jordânia.

Pontilhando o horizonte do deserto oriental da Jordânia, encontram-se hoje as ruínas de alguns “castelos do deserto” mais emblemáticos. Na verdade são fortalezas, palácios, hospedagens e banhos que na sua maioria datam da dinastia Umayyad e situam-se ao longo da rota que ligava a Síria ao interior da península árabe.

A nossa viagem no tempo, e no espaço, começou pelo castelo do deserto Qasr Kharana. 65km a leste da cidade de Amman e bem no interior da vasta estepe jordana ergue-se o que à primeira vista parece uma fortaleza.

A sua estrutura fortificada suscita dúvidas quanto à sua utilidade e a visita ao interior revela que este misterioso edifício não podia servir propósitos militares: as torres são maciças e as fendas impossíveis de usar para defesa.

Um labirinto de 61 salas ricamente decoradas divididas entre os dois pisos, o amplo pátio, os estábulos ladeando o pórtico da entrada e os pormenores geométricos da arquitectura fornecem pistas para fundamentar a mais recente hipótese: que este seria o local de encontro entre as delegações das tribos beduínas locais e da elite de Damasco.

Seguiu-se o castelo do deserto Qusayr Amra que nos reservava uma grande surpresa. Este qusayr – pequeno castelo – fazia parte dum grande complexo utilizado como caravançarai. Sob a égide de Património Mundial da Unesco, está espantosamente bem preservado.

No exterior são fáceis de discernir os tanques de água para os banhos e o poço com um complexo sistema de extracção de água.

Entrámos. Quando os nossos olhos se habituaram à escuridão fomos surpreendidos com elaborados frescos cobrindo todo o tecto e paredes. Os frescos têm detalhes preciosos e subtis. Fomos “cumprimentados” por duas dançarinas semi-nuas e uma cena de caça cobrindo toda a parede à direita. Passeando pelas salas dos banhos e observando mais atentamente, surgem-nos imagens que retratam músicos, mulheres nuas banhando-se, cestos de fruta, os ofícios, cenas de caça e luta, o zodíaco, poetas e reis, e até um urso a tocar cavaquinho e um macaco a aplaudir.

Atendendo ao facto que este é um edifício muçulmano construído numa das fases em que o poder islâmico mais se afirmava, questionamos como era possível representar tais heresias? Ao que parece, os governantes da altura gostavam de dar umas escapadelas para estes “paraísos do prazer”, onde os olhos dos mais pios não chegavam, e entregarem-se aos prazeres terrenos. Em bom português, iam pintar a manta!

A nossa visita aos castelos do deserto terminaria no Qasr Al-Azraq, com as fronteiras da Arábia Saudita, do Iraque e da Siria a uns escassos quilómetros. Em tempos foi um imponente forte com três pisos mas, sujeito à erosão dos elementos, aos sucessivos terramotos e ao abandono de séculos, só resta o esqueleto da antiga estrutura.

Foi aqui que Lawrence da Arábia e os seus homens estiveram durante o inverno de 1917-18 aquando da Revolta Árabe contra os turcos. E só por essa razão dá vontade de passear pelo seu interior e, acima de tudo, subir aos desmoronados aposentos da lenda e imaginar os seus pensamentos.

O aspecto periclitante das paredes e vigamentos de pedra não nos refreou a curiosidade. Explorámos as salas, subimos os amontoados de pedras outrora escadarias, atravessámos as portas feitas para anões e descobrimos a porta mais famosa dos castelos do deserto.

Uma porta feita duma única laje de basalto que, descreve Sir Lawrence, “fechava com um tal estrondo e choque que fazia tremer toda a muralha oeste”.

Estava na hora de alimentar estes VagaMundos e molhar as gargantas secas! A escolha recaiu sobre o Azraq Palace Restaurant, o melhor local da cidade. A oferta do bufete de almoço é generosa e aqui provámos o nosso primeiro maglubeh, um prato tradicional beduíno.

Subitamente, o chão estremeceu e ouvimos um estrondo terrível. Era uma explosão. Invadidos por um sentimento de medo questionámos os empregados, também aturdidos com o susto. Responderam num tímido sorriso que eram exercícios militares na base que ladeia a cidade de Azraq. Não ganhámos para o susto!


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8 COMENTÁRIOS

  1. Parece irreal no meio de uma paisagem como aquela surgir uma construção assim, ou várias delas. Interessante! Por isso que viajar é bom, temos a possibilidade de ver coisas incríveis!

  2. Mas que magnífica crónica!!! Fiquei 'presa' ao texto e às fotos até ao fim… só não estava à espera era desse final… mas, ainda bem, que não passou de apenas um susto…
    Acho que essa refeição não 'caíu' lá muito bem no estômago dos dois queridos vagamundos… mas, refeitos do susto, a refeição seguinte foi de certo bem mais agradável…
    Ah!!! Já me esquecia…:) muitos Parabéns por mais esta fantástica crónica que nos 'transporta' para outro espaço/tempo!
    Beijinhos e boa semana para os dois.

  3. Fascinante! Como puderam construir tais edificações há tanto tempo, que tecnologia, calculos usaram?!

  4. (Surpreendido)
    Tanta história!! Magnificas fotografias. e um belo lugar para pintar a manta! eh eh eh.
    o vosso blog é magnifico.
    Cumprimentos

  5. Amazing and very interesting this post!!!
    These castles in the middle of the desert… excelents photos.
    What a shock because of the explosion!

    Cheers from Buenos Aires!
    Patricia

  6. How extraordinary to find these castles in the middle of nowhere, rising up from the desert. They must have had beautiful interiors, judging for the paintings that are still remaining.
    what a shock hearing the explotion must have been! That can't be good, considering the state of these constructions! IF they're protected by UNESCo, how come they don't protest to prevent these military excercises?

  7. Olá Vitor. True!
    Abraço

    Olá Brenda. Elas lá estão para nos dizer que muita coisa é possível. E somos também da opinião que viajar dá-nos uma visão mais abrangente do mundo e da vida.
    Bjs

    Olá Alexandrina. Ficamos muito contentes que a crónica te tenha "agarrado"! O final foi inesperado, sem dúvida. Mas ficámos recompostos bem rápido, assim que soubemos que não havia razões para preocupação. Não deixa de ser uma peripécia de viagem que nunca mais esqueceremos!
    Bjs

    Olá Mary. Os Ummayads tinham contacto com muitos povos e a sua arquitectura incorpora essas variadíssimas influências.
    Bjs

    Olá Valentim. Quem é que vai supeitar duma manta pintada lá no meio do deserto!? 🙂
    Abraço

    Hello Patricia. Thank you. The castles are impressive, no doubt. And the explosion had no "colateral damage" 🙂
    Saludos

    Hello Aledys. From what we were told, these castles were exquisitely decorated, no detail was left behind, especially in Qusayr Amra. Yes, the explosion came as a shock but… We're alive and kicking 🙂
    Saludos

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