Uma noite no Deserto de Zagora (Marrocos)

deserto de zagora

Nós já estávamos prontos mas, chegados a Zagora, houve apenas tempo para os menos prevenidos comprarem água e os seus “turbantes”, acessório de vestuário essencial para tornar a experiência que se seguiria mais autêntica. Infelizmente, não tivemos tempo de explorar Zagora antes de partirmos para o Deserto de Zagora, mas isso não nos incomodou, serve apenas como desculpa para regressarmos a Marrocos.

Esperavam-nos uns dromedários e respectivos tratadores bérberes para nos conduzirem, palmar afora, até à nossa segunda experiência de acampamento no meio do deserto, tendo Wadi Rum na Jordânia sido a primeira.

O Alexandre já havia experimentado no Egipto, mas para mim era a minha primeira “camel ride”. Apesar dos avisos, estava bastante expectante e para o Alexandre, depois de tantos anos, também havia vontade de voltar a experienciar a montada.

Atrapalhada com ajeitar a mochila na sela, arrumar a garrafa de água, pôr a máquina fotográfica a jeito… O Rezingão, nome que colei ao meu camelo e que lhe servia como uma luva, toca de upar sem pré-aviso. De repente, lá me vejo eu atirada para a frente e para trás, e só não dei um monumental tralho porque a divina providência a fez-me levar a mão livre à sela.

Não é à toa que chamam aos camelos os “barcos do deserto”. E logo após os primeiros metros, compreende-se na perfeição o cognome. O Rezingão resolveu demonstrar-me até como era o seu trote.

Contudo, a paisagem circundante, o pôr-do-sol que nos acompanha e a sensação de liberdade que nos dão estes espaços abertos, não têm comparação. Imperdível!

Passada mais de uma hora de instável passeio, vislumbramos no escuro o vulto dumas pequenas dunas e as tendas onde ficaríamos essa noite no Deserto de Zagora. Finalmente, pés em terra firme mas com uma sensação de pernas bambas que nem conseguíamos andar direito. Mas foi passageiro. Dissemos um ao outro que não estávamos preparados para fazer o caminho de regresso na manhã seguinte outra vez de camelo, mas a história voltou a repetir-se.

Chegados ao acampamento, fomos explorar à luz de vela. As tendas eram espaçosas, com capacidade até 6 pessoas. Nós partilhámos a nossa com outro casal. Na tenda central, bem grande, ficava o “restaurante”. A uns metros do acampamento havia até WC e chuveiros. As condições do acampamento no Deserto de Zagora eram razoáveis.

Seguiu-se o jantar. Para começar, um chá de menta de boas vindas. O cesto do pão está sempre presente em qualquer mesa de Marrocos. A partilha do pão à hora da refeição é um traço cultural, por isso não deve ser cobrado a ninguém em lado algum. Seguiu-se uma sopa de legumes com trigo cozido. Bem saborosa apesar de desconhecermos o uso de trigo como ingrediente de sopa.

A tagine de frango não ficou atrás, bem condimentada e confeccionada.

Terminada a comezaina, os nossos anfitriões bérberes preparavam já um animado serão com a sua música e cantos tradicionais. Ali ficámos durante horas, um grande grupo reunido à volta duma agradável fogueira pois com a noite vem também o frio no deserto de Zagora…

Uns ouviam e batiam palmas, outros dançavam ou batiam o pezinho ao ritmo do tambor bérbere. Momento e local certos para se observar brilhantes estrelas num céu límpido. Com toda aquela animação, perdemos a noção do tempo. Recolhemos já bastante tarde e o dia seguinte começava bem cedo.

Às 6h da manhã começou a movimentação no acampamento. O pequeno-almoço simples composto de café, chá, pão, manteiga e doces era servido na tenda central. Ainda nos esperava mais de meia-hora de montada de camelo e não sabíamos quando iriamos comer outra vez pelo que tomamos um pequeno-almoço bem reforçado.

Assistimos ao nascer do sol no topo duma duna no “quintal” do acampamento.

À luz da manhã é que nos apercebemos da verdadeira dimensão do nosso acampamento… Os vestígios da animação da noite anterior permaneciam ali, no centro, uma última imagem que se colou na retina.

Mais uma vez, ficávamos embevecidos com a paisagem circundante do Deserto de Zagora.

O deserto de Zagora não é o deserto das grandes dunas mas um deserto hostil, de pedras e cascalho negros, de montanhas esculpidas pelos elementos.

No caminho de regresso, umas crianças começaram a correr na nossa direcção. Ao verem o nosso saco da comida, começaram a estender as mãos. Ao contrário de outras viagens, não levamos objectos escolares uteis para as crianças, pelo que apenas abrimos o saco e demos todos os queijinhos e as azeitonas aos petizes.

O nosso motorista, o Abdul, esperou por nós pacientemente. Disponibilizou-se até para traduzir algumas frases trocadas. O Abdul foi uma grande mais-valia nestes dois dias. Apesar de ser apenas o motorista, foi também guia. A sua simpatia revelou-se logo desde o início, parou e deu-nos informações sobre locais como o Ksar Aït Benhaddou, Canyon de Tizi-n-Tinififft, o Olho e o Coração da montanha, o palmar de Agdz, a criação e propósito das kasbahs. Nas horas de viagem, a conversa surgiu naturalmente e criou-se um saudável à-vontade entre nós e o Abdul. Aconselhamos vivamente os seus serviços para quem queira fazer um tour em Marrocos, ele conhece bem o seu país e domina as estradas. Para quem queira saber o contacto do Abdul, é só enviarem-nos um mail. Abdul, Shukran!


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4 COMENTÁRIOS

  1. Fantástica experiencia montar a camello.

    Qué suerte poder dormir en el campamento beréber. El día que yo iba a ir, hubo una gran tormenta de arena y no lo hicimos. Lástima.

    El desierto es bello; muy bello ¿verdad?

    Um beijo!!!

  2. Hola Mercè. Foi uma experiência fantástica! Adoramos o deserto 🙂 Fomos ainda a Merzouga onde passamos a noite nas dunas de Erg Chebbi. Em breve colocaremos aqui os relatos e fotos desse dia. Da proxima vez vai tudo correr bem e poderás ter a tua noite no deserto 🙂 Acreditamos que vais adorar 🙂
    Besos

    Olá Mildred. Obrigado nós pelas tuas palavras e pela visita.
    Abraços

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