Visitar Serra da Freita: Roteiro pelo Arouca Geopark e Serra da Freita

Visitar Serra da Freita: Roteiro pelo Arouca Geopark e Serra da Freita

Sabia que a pouco mais de sessenta quilómetros de Aveiro e do Porto existe uma serra encantada e um Geopark Mundial da Unesco que é uma autêntica caixinha de surpresas? Provavelmente já, e o mais certo é já ter descoberto que estamos a falar da arrebatadora Serra da Freita e do surpreendente Arouca Geopark, um dos destinos de natureza mais fascinantes e completos de Portugal.

Visitar Serra da Freita: Roteiro pelo Arouca Geopark

É certo que para muitas pessoas a Serra da Freita e o Arouca Geopark são sinónimos de Passadiços do Paiva, mas acredite que os seus encantos estão longe de se reduzir ao percurso pedestre mais famoso de Portugal.

Visitar Serra da Freita: Roteiro pelo Arouca Geopark

Para além dos soberbos passadiços existem mais de duas mãos cheias de fabulosos trilhos devidamente marcados, aldeias histórias que nos fazem recuar no tempo, cascatas e lagoas idílicas, misteriosas minas e povoações abandonadas, rios selvagens pontilhados por praias fluviais, fauna e flora ímpares em Portugal (ou não fosse aqui a casa do lobo ibérico), incontáveis montes bordados de urze e carqueja, soberbos miradouros que nos brindam com paisagens de cortar a respiração e dezenas de locais de interesse geológico (geossítios) que, silenciosamente, guardam a história do nosso planeta.

Visitar Serra da Freita: Roteiro pelo Arouca Geopark E se a tudo isto somar o sorriso afável das suas gentes, que quase por magia nos fazem sentir em casa, a deleitosa gastronomia, que deixa qualquer um a babar, as seculares tradições e lendas que nos fazem sonhar, vai facilmente perceber porque caímos de amores por estas Montanhas Mágicas.

Visitar Serra da Freita: Roteiro pelo Arouca Geopark E como as melhores coisas da vida ganham ainda mais cor quando partilhadas, preparamos para si um roteiro de 2 e 3 dias pela Serra da Freita e Arouca Geopark com os nossos locais favoritos, muitas dicas práticas e sugestões, para que também você possa desfrutar de uma escapadinha de sonho pela Serra da Freita. Prepare-se para ser enfeitiçado!

Onde fica a Serra da Freita e o Arouca Geopark?

Visitar Serra da Freita: Roteiro pelo Arouca Geopark O Arouca Geopark fica localizado no distrito de Aveiro a pouco mais de 60 quilómetros de Aveiro e do Porto e a sua área abarca todo o município de Arouca. Em 2009 foi classificado como Geoparque Mundial da UNESCO (o primeiro de Portugal), devido às formações geológicas ímpares que se encontram no seu território. Ao todo são 41 fantásticos geossítios à espera de serem descobertos.

A Serra da Freita faz parte do maciço da Gralheira, juntamente com a Serra da Arada, do Arestal e de São Macário, e para além do município de Arouca estende-se ainda para o município de Vale de Cambra e São Pedro do Sul, este último já pertencente ao distrito de Viseu. Uma parte muito significativa dos geossítios do Arouca Geopark (mais concretamente 17 dos 41) está localizada no planalto da Serra da Freita.

Quando visitar a Serra da Freita e o Arouca Geopark?

Visitar Serra da Freita: Roteiro pelo Arouca Geopark Cada uma das estações nos revela uma face diferente da Serra da Freita e do Arouca Geopark, mas as nossas estações favoritas são a primavera e o outono, altura em que o tempo está mais ameno, e logo mais propício a caminhadas, algo que para nós é indispensável em todas as visitas à Serra da Freita.

Na primavera os montes pintam-se com flores de mil cores e rios, ribeiras e cascatas estão em todo o seu esplendor. Já no outono, e porque na serra abunda o carvalho e o castanheiro, fica pincelada de apaixonantes tons outonais.

Se optar por ir no verão, tem o contratempo do calor para as caminhadas (opte por caminhar logo de manhã cedo ou ao final da tarde). Por outro lado, ganha a possibilidade de desfrutar das inúmeras praias fluviais, cascatas e poços que existem na Serra da Freita e no Arouca Geopark.

Já no inverno é preciso ter em conta as condições climatéricas mais adversas e ir preparado para a chuva e frio. Como costumamos dizer, não existe mau tempo, existe é equipamento inadequado para a estação. E acredite que sabe muito bem o aconchego da lareira naqueles dias frios de inverno, depois de um dia em cheio a explorar a Freita.

Trilhos e Percursos Pedestres na Serra da Freita e Arouca Geopark

Visitar Serra da Freita: Roteiro pelo Arouca Geopark Se gosta de caminhar, vai adorar a Serra da Freita e o Arouca Geopark. Para além dos Passadiços do Paiva, existem nada mais nada menos do que 17 percursos pedestres devidamente marcados e com vários níveis de dificuldade, dos quais 16 são pequenas rotas. Os nossos favoritos são as Escarpas da Mizarela, o trilho da Aldeia do Drave, o Caminho do Carteiro, a rota do Ouro Negro e o exigente trilho dos Caminhos do Montemuro.

  • PR1 Caminhos do Montemuro – 19 km
  • PR2 Caminhos do Vale do Urtigosa – 11 km
  • PR3 Caminhos do Sol Nascente – 13 km
  • PR4 Cercanias da Freita – 13 km
  • PR5 Livraria do Paiva – 3 km
  • PR6 Caminho do Carteiro – 6 km
  • PR7 Nas Escarpas da Mizarela – 8 km
  • PR8 Rota do Ouro Negro – 6 km
  • PR10 Rota dos Aromas – 11 km
  • PR11 Trilho das Levadas – 11 km
  • PR13 Na Senda do Paivô – 4,5 km
  • PR14 Drave, a Aldeia Mágica – 4 km
  • PR16 São Pedro Velho 12 – km
  • GR28 Por Montes e Vales – 26km

Clique para ler o nosso artigo com os Melhores Trilhos de Portugal 

Onde ficar na Serra da Freita – Sugestões de Alojamento para visitar o Arouca Geopark

Em nossa opinião os melhores locais para ficar alojado numa visita à Serra da Freita e ao Arouca Geopark são a vila de Arouca e a aldeia de Albergaria da Serra.

Arouca é a localidade que apresenta a maior oferta de alojamentos e serviços turísticos da região. Além disso, conta com bons acessos à maioria dos pontos de interesse do Arouca Geopark.

Albergaria da Serra conta igualmente com bons acessos e ganha a Arouca na fantástica experiência que é dormir em pleno planalto da Serra da Freita. Obviamente que disponibiliza menos serviços turísticos.

turismo-rural-portugal-escapadinhasSe for com pouco tempo, e tendo em conta que a área da Serra da Freita e do Arouca Geopark ainda é considerável, recomendamos que opte por dividir as noites de hospedagem por várias localidades ao invés de ficar sempre alojado no mesmo local. Assim, perde menos horas na estrada ganhando mais tempo (e energia) para conhecer os principais pontos de interesse da Serra da Freita e do Arouca Geopark.

Devido à fama internacional dos Passadiços do Paiva, a Serra da Freita e o Arouca Geopark são hoje dos destinos mais procurados de Portugal. Logo, recomendamos vivamente que reserve o seu alojamento com o máximo de antecedência possível de forma a garantir os melhores preços. Para lhe dar uma mãozinha, apresentamos os nossos alojamentos favoritos – reservados e testados por nós.

Quinta do Pomarinho

Uma casa do século XIX cuja renovação trouxe confortos modernos mantendo a identidade histórica, é o que vai encontrar na Quinta do Pomarinho. Localizada apenas a um quilómetro de Arouca, fica perto dos restaurantes de gastronomia regional e todos os serviços, mas rodeada de apaziguadora natureza. Pode dar um “stroll” no jardim verdejante, um mergulho na piscina exterior, exercitar-se no campo de ténis e divertir-se com os miúdos no minigolfe, aproveitando bons momentos de lazer nesta unidade de turismo rural. Tem ainda um salão comum para relaxar. Os quartos são muito acolhedores e limpos, têm aquecimento e estão munidos de produtos de higiene pessoal. O pequeno-almoço continental é servido numa mesa corrida onde o anfitrião, profundo conhecedor das maravilhas da região, promove o saudável convívio entre hóspedes.

Hotel Rural da Freita

Pode ser um hotel de 3 estrelas, mas o Hotel Rural da Freita na Mizarela (Arouca) é cinco estrelas para quem procura a combinação perfeita entre ruralidade, natureza em estado puro e descanso em total comodidade. Ter o conforto integral duma unidade hoteleira moderna em plena Serra da Freita é um achado. Quartos super espaçosos, luminosos e aclimatizados, com decoração moderna e harmoniosa, casa de banho privativa e, alguns, com uma enorme varanda. Em dias limpos, a vista no horizonte chega até à Ria de Aveiro e ao mar. Só vai querer sair da comodidade do quarto porque o pequeno-almoço continental é mesmo delicioso e muito variado.

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O Melhor da Serra da Freita e do Arouca Geopark num Roteiro de 3 dias – o que ver e fazer

Visitar Serra da Freita: Roteiro pelo Arouca Geopark O nosso roteiro para visitar a Serra da Freita e o Arouca Geopark tem início nos incontornáveis Passadiços do Paiva, em Arouca, e termina na Serra de São Macário, em São Pedro do Sul. Mas pode fazê-lo na ordem inversa sem problema algum, ou até mesmo começar em qualquer um dos pontos de interesse sugeridos e, a partir daí, desenhar o seu próprio roteiro.

É importante referir que o número de dias que sugerimos para este roteiro da Serra da Freita e do Arouca Geopark pressupõe que a viagem seja feita com viatura própria e não inclui os dias de viagem do local de origem para a região da Serra da Freita e do Arouca Geopark.

Visitar Serra da Freita: Roteiro pelo Arouca Geopark Na verdade, visitar os locais de interesse referidos neste artigo sem carro ou sem recorrer a um tour é uma tarefa (praticamente) impossível de realizar. Se estiver sem viatura própria, o melhor mesmo é alugar um carro.

Se já é nosso leitor assíduo, já sabe que nos nossos roteiros o número de dias é meramente indicativo. Se abdicar de fazer os trilhos que sugerimos, pode fazer este roteiro em 2 dias sem qualquer problema.

Visitar Serra da Freita: Roteiro pelo Arouca Geopark Caso queira fazer mais alguns percursos pedestres e praticar desportos náuticos, visitar mais alguns geossítios e aldeias tradicionais, ou simplesmente relaxar numa das muitas cascatas ou praias fluviais da região, recomendamos vivamente a que acrescente mais uns dias à sua visita à Serra da Freita e ao Arouca Geopark.

Ao longo do roteiro vamos dar várias sugestões nesse sentido e vai ver que é super fácil transformar esta escapadinha pela Serra da Freita e Arouca Geopark numa semana de férias.

Roteiro para visitar a Serra da Freita e o Arouca Geopark: 1º Dia


Passadiços do Paiva – Icnofósseis de Cabanas Longas – Mira Paiva – Paradinha – Monte da Senhora Mó – Arouca


Damos início ao nosso roteiro pela Serra da Freita e Arouca Geopark com uma caminhada pelos fantásticos Passadiços do Paiva, a joia da coroa do Arouca Geopark. Localizados na margem esquerda do Rio Paiva, estes quase nove quilómetros de passadiços, entre a praia fluvial do Areinho e a praia fluvial de Espiunca, tornaram-se rapidamente num dos trilhos e percursos pedestres mais emblemáticos de Portugal.

Passadiços do Paiva - Arouca Geopark e Serra da FreitaOs Passadiços do Paiva estão inseridos num autêntico santuário natural e a simbiose entre a construção do homem e a natureza está simplesmente perfeita. Pelo caminho será brindado com paisagens de cortar a respiração, poderá ver in loco extraordinárias formações rochosas, imponentes cascatas, idílicas praias fluviais e até mesmo atravessar uma ponte suspensa sobre o rio Paiva.

Entre os locais mais emblemáticos dos passadiços evidenciam-se a Garganta do Paiva, a Cascata das Aguieiras, a Praia Fluvial do Vau, a Gola do Salto e a Falha de Espiunca. Clique aqui para ler um guia completo sobre os Passadiços do Paiva, reservar os seus bilhetes e descarregar o track GPS para levar no seu smartphone.

Dica VagaMundos: se já percorreu os Passadiços do Paiva e não está com vontade de repetir a experiência, pode aproveitar para conhecer as aldeias de xisto de Janarde e Meitriz, ambas localizadas nas margens do rio Paiva. Se seguir esta nossa sugestão e gostar de caminhadas, aproveite para percorrer o PR5 – Livraria do Paiva, trilho circular que arranca em Janarde. Tem apenas 3 km (faz-se bem numa hora e pouco) e pelo caminho pode ver vários geossítios, nomeadamente os Conheiros e Meandros do Paiva, a Livraria do Paiva e os Icnofósseis da Mourinha.

Arouca Geopark e Serra da FreitaPassadiços do Paiva percorridos, continue o seu roteiro pelo Arouca Geopark com uma visita aos Icnofósseis de Cabanas Longas. Icnofósseis são marcas fósseis deixadas nos sedimentos há centenas de milhões de anos pelas trilobites. Neste local existem vários afloramentos quartzíticos que guardam uma elevada concentração de icnofósseis. O acesso à plataforma de observação é completamente gratuito e, não só permite ver os icnofósseis de perto, como ainda o vai brindar com uma extraordinária paisagem. Acredite que vale bem a pena subir a escadaria.

Dica VagaMundos: se quiser ver fósseis gigantescos de trilobites visite o Centro de Interpretação Geológica de Canelas que fica situado na antiga pedreira do Valério, a caminho de Espiunca.

Arouca Geopark e Serra da FreitaDe Cabanas Longas avançamos até à Paradinha, uma das aldeias mais mágicas do Arouca Geopark. Mas pelo caminho não deixe de parar no Mira Paiva, o nosso miradouro favorito na margem direita do Paiva. Dele terá não só o primeiro vislumbre do casario da aldeia de xisto da Paradinha como ainda uma vista privilegiada sobre o vale do Paiva e a foz do rio Paivô.

Uma vez na Paradinha prepare-se para uma viagem no tempo. Esta Aldeia de Portugal emana magia e parece fazer parte da montanha que nos seus braços a acolheu. Não sabemos se tal se deve ao seu casario tradicional de ardósia e xisto, aos traços de tempos de outrora com que nos cruzamos pelas suas ruelas ou ao marulhar enfeitiçador das águas do Paiva. O certo é que este é um daqueles locais onde simplesmente apetece estar.

Arouca Geopark e Serra da FreitaPercorra sem pressas a aldeia e atente nos objetos do quotidiano rural, como sejam os canastros, os espigueiros, o forno comunitário, os arados e os carros de bois. E claro não deixe de dar um saltinho à sua praia fluvial, um pequeno paraíso escondido nas margens do Paiva, perfeito para ir a banhos naquelas tardes quentes de verão.

Dica VagaMundos: se gosta de adrenalina e tem um dia extra para acrescentar ao seu roteiro pela Serra da Freita e Arouca Geopark, não deixe de praticar rafting, caiaque ou canyoning no rio Paiva. É um dos melhores locais em Portugal para estas práticas desportivas!

Paradinha visitada regresse à margem esquerda do rio Paiva e suba ao Monte da Senhora da Mó em “romaria” à peculiar capela de traços mouriscos e perca a vista no horizonte, desde Arouca ao Porto.

Charutos de Amêndoa – um dos doces conventuais que tem de provar na sua visita a Arouca

O primeiro dia do nosso roteiro pela Serra da Freita e Arouca Geopark termina na vila de Arouca. Entre os vários pontos de interesse de Arouca destacamos o Mosteiro de Arouca, o Museu de Arte Sacra, o seu vizinho Parque Urbano e a icónica Praça Brandão de Vasconcelos, onde pontifica a Igreja da Misericórdia e a antiga Câmara Municipal. Clique para ver as melhores opções de alojamento em Arouca.

Dica VagaMundos: aproveite o passeio pelo centro histórico de Arouca e vá adoçar o dente na Casa dos Doces Conventuais de Arouca. Os charutos de amêndoa são uma das nossas perdições. Termine o dia a degustar uma bela duma Posta Arouquesa, prato incontornável para todos os apreciadores de boa carne que visitam Arouca. Leia este artigo até ao fim para ver os nossos restaurantes favoritos da região.

Mapa do 1º dia do Roteiro da Serra da Freita


Clique no canto superior direito para aumentar o mapa do 1º dia do Roteiro para visitar a Serra da Freita e Arouca Geopark

Roteiro para visitar a Serra da Freita e o Arouca Geopark: 2º Dia


Arouca – Panorâmica do Detrelo da Malhada – Planalto da Serra da Freita – Pedras Boroas do Junqueiro – Miradouro São Pedro Velho – Pedras Parideiras – Radar Meteorológico de Arouca – Parque Fluvial de Albergaria da Serra – Miradouro da Frecha da Mizarela


O segundo dia do nosso roteiro pela Serra da Freita e Arouca Geopark irá conduzi-lo ao coração da Serra da Freita e vai ser fértil em estradas cénicas, incríveis formações rochosas e paisagens de cortar a respiração.

Panorâmica do Detrelo da MalhadaA primeira paragem do dia será na Panorâmica do Detrelo da Malhada, um dos miradouros mais bonitos de Portugal. Dele é possível ver praticamente todo o Arouca Geopark e em dias de boa visibilidade até se consegue avistar o oceano Atlântico e as montanhas do Gerês.

Do Detrelo da Malhada seguimos, pela estrada empedrada que liga Castanheira a Cabaços, até às Pedras Boroas do Junqueiro, um dos geossítios mais emblemáticos do Arouca Geopark. Estas curiosas formações rochosas são resultado da erosão diferencial que o granito sofreu ao longo dos séculos, dando origem à formação de uma rede de fissuras poligonais que faz lembrar a côdea das boroas de milho, o vocábulo usado pelos locais para designar broa.

Pelo caminho, poderá cruzar-se com alguns rebanhos de cabras, sempre acompanhadas pelos cães pastores, e com manadas de vacas arouquesas. Por isso, circule devagar e aproveite para disfrutar das paisagens. Afinal de contas, este é um daqueles locais que não convida a pressas.

Atenção: o tempo no planalto da Serra da Freita muda constantemente. Tão depressa está um sol de raiar como minutos depois já estamos envoltos por nevoeiro que não deixa ver um palmo à frente do nariz. Circule sempre com precaução e, se a visibilidade ficar muito condicionada, opte por encostar o carro e esperar que (literalmente) as nuvens passem. Por norma não costuma demorar muito.

Continue o seu roteiro pela Serra da Freita com uma visita ao Miradouro de São Pedro Velho, onde fica o marco geodésico mais emblemático de toda a serra. A não ser que tenha um 4×4, aconselhamos que estacione o carro junto à placa do Geopark de Arouca que indica o geossítio e que daí prossiga a pé até ao miradouro. O trilho de acesso é curto (cerca de 600 metros) e pelo caminho vai poder prestar a atenção devida a detalhes da geomorfologia e flora do planalto da Serra da Freita que de outra forma lhe iriam passar despercebidos.

Uma vez chegado ao Miradouro de São Pedro Velho vai sentir-se premiado pelo esforço. Este miradouro é um dos pontos mais altos da Serra da Freita (1077 metros de altitude) e dizem as gentes locais que dali se consegue avistar meio Portugal. Isto se não houver nevoeiro, claro!

Pode ser uma afirmação algo exagerada, mas o certo é que da sua plataforma de 360 graus é possível avistar o vale do Paiva, a serra de Montemuro, o vale do Douro, o Gerês, o vale do Vouga, a serra do Caramulo, a serra da Estrela e uma fração gigantesca da costa portuguesa, sensivelmente desde a Póvoa do Varzim à Figueira da Foz.

Dica VagaMundos: se tem um dia extra para alocar ao seu roteiro da Serra da Freita e Arouca Geopark e quer passar um dia em total comunhão com a natureza, a desfrutar de algumas das paisagens mais bonitas da Serra da Freita, recomendamos que percorra o trilho circular PR16 São Pedro Velho. O trilho arranca do Parque de Campismo do Merujal e tem cerca de 12 km de extensão.

Do Miradouro de São Pedro Velho prossiga o seu roteiro pela Serra da Freita com uma visita ao Parque Fluvial da Albergaria da Serra, o local perfeito para um picnic. Se for no verão, aproveite para dar um mergulho nas águas do rio Caima.

Depois de almoço rume até ao Centro de Interpretação das Pedras Parideiras, para visitar o geossítio mais emblemático do Arouca Geopark. Aqui poderá observar in loco um fenómeno geológico ímpar no mundo.

O afloramento granito onde ocorre este fenómeno tem cerca de um quilómetro quadrado de extensão e nele estão incrustados pequenos nódulos biotíticos que, por ação da erosão, se soltam da pedra. Daí a designação de Pedras Parideiras. Pode observar as pedras in loco percorrendo o passadiço criado para o efeito (evite caminhar sobre as pedras). A entrada no passadiço é gratuita, mas vale a pena visitar o Centro de Interpretação, assistir ao filme explicativo e conhecer mais a fundo este fenómeno único.

Pedras Parideiras visitadas, avance até ao icónico Radar Meteorológico de Arouca, o radar mais fotogénico de Portugal, situado a cerca de 1000 metros de altitude. Se for da parte da tarde e o dia apresentar boa visibilidade, suba até ao piso panorâmico e desfrute duma das vistas mais esmagadoras da Serra da Freita.

O segundo dia do nosso roteiro pela Serra da Freita e Arouca Geopark aproxima-se do seu final e, para fechar o dia com chave de ouro, reservamos uma enorme surpresa (literalmente). Estamos a falar-lhe da imponente Frecha da Mizarela, a cascata mais alta de Portugal Continental. Aqui, as águas do rio Caima despenham-se violentamente de mais de 60 metros de altura originando um espetáculo natural simplesmente brutal.

Serra da Freita e Arouca GeoparkPode observar bem a imponente queda de água do miradouro criado para o efeito, mas se as quiser ver de bem perto, só mesmo percorrendo o rasgadinho PR7 – Escarpas da Mizarela. Se gosta de caminhadas e puder acrescentar mais um dia à sua visita à Serra da Freita, não hesite (mais informação sobre o trilho na caixa abaixo).

Informação prática do Trilho “Nas Escarpas da Mizarela”

  • Distância: 8 km
  • Circular: sim
  • Dificuldade Técnica: Alta
  • Local de Partida/Chegada: Parque de Campismo do Merujal

por do sol - serra da freitaIndependentemente da sua opção, não perca o pôr-do-sol visto do pequeno povoado da Mizarela. Está entre os mais mágicos que já tivemos o privilégio de assistir na Serra da Freita! Clique para ver as melhores opções de alojamento na Serra da Freita.

Dicas VagaMundos:

  • Se vir que que ainda tem tempo disponível, ou caso fique mais um dia para fazer o trilho da Mizarela, aproveite para visitar a isolada Capela da Senhora da Laje e a Aldeia de Trebilhadouro. Mas não se atrase para não perder o mágico pôr-do-sol no planalto da Serra da Freita.
  • Um dos melhores locais para assistir ao pôr-do-sol em Mizarela é na eira que fica mesmo em frente ao Hotel Rural da Freita. O show é completamente grátis!
  • Se pernoitar na Serra da Freita aproveite para ir jantar ao Mira Freita, um dos nossos restaurantes favoritos da região. Para mais informações espreite a secção dos restaurantes no final do artigo.

Mapa do 2º dia do Roteiro da Serra da Freita


Clique no canto superior direito para aumentar o mapa do 2º dia do Roteiro para visitar a Serra da Freita e Arouca Geopark

Roteiro para visitar a Serra da Freita e o Arouca Geopark: 3º Dia


Mizarela – Regoufe – Drave – Minas de Regoufe – Portal do Inferno e Garra – Aldeia da Pena – Aldeia Covas do Monte – Santuário de São Macário (Alto de São Macário)


Este é o dia mais cheio deste roteiro pela Serra da Freita e Arouca Geopark e como tal recomendamos vivamente que madrugue. De outra forma, dificilmente vai conseguir ver todos os pontos de interesse que vamos referir.

Comece o dia rumando até Regoufe, o ponto de partida do fantástico trilho que o irá conduzir à aldeia desabitada de Drave. Esta aldeia mágica, encaixada entre a Serra da Freita e a Serra de S. Macário, perdeu o seu último habitante em 2009. Para se lá chegar, só mesmo a pé. Talvez por isso tenha sido eleita para ser a Base Nacional da IV Secção do Corpo Nacional de Escutas.

O trilho tem cerca de 4 km de extensão (8 km ida e volta). O início é algo rasgadinho, mas a vista que se tem do topo da inclinada subida dá total sentido ao adágio “the best view comes after the hardest climb”.

Chegar à Drave depois desta caminhada é verdadeiramente mágico. É difícil descrever o que se sente ao observar pela primeira vez o casario todo feito de xisto (com exceção da pequena capela) e ao escutar o barulho das cristalinas águas da ribeira de Palhais.

Dica VagaMundos: as lagoas e pequenas cascatas da ribeira de Palhais são sérias candidatas aos melhores mergulhos de verão. Portanto, leve o fato de banho.
Informação prática do PR14 – Aldeia Mágica do Drave

  • Distância: 8 km (ida e volta)
  • Circular: não
  • Dificuldade Técnica: Fácil/Moderada
  • Local de Partida/Chegada: Capela de Regoufe
Uma vez de regresso, não deixe de visitar as ruínas das Minas de Volfrâmio de Regoufe, que foram exploradas pelos ingleses durante a 2ª Guerra Mundial para delas tirarem o precioso volfrâmio, essencial para a construção de armamento e munições. Curiosamente, na vizinha aldeia de Rio de Frades, havia outra mina explorada pela outra fação da guerra, ou seja pela Alemanha. Como vê, não foi de todo à toa que Salazar declarou a neutralidade de Portugal na 2ª Guerra Mundial.

Minas visitadas rume até ao Portal do Inferno e Garra, em pleno coração do Maciço da Gralheira. O assustador nome advém do estreito local de passagem situado no cume que separa dois vales escarpados com quase 1000 metros de altitude de penhascos e fragas de xisto que metem respeito. Não haja dúvidas que o precipício parece um portal entre duas dimensões (curiosamente, é aí que se encontra a fronteira entre o distrito de Aveiro e Viseu) e que, diga-se em abono da verdade, a ventosa passagem é capaz de colocar os mais valentes em sentido. Contudo, as paisagens com que somos brindados estão mais para o paradisíaco do que para o infernal

Do lado esquerdo (para quem segue no sentido Regoufe – Serra de São Macário) encontra-se o vale de Covas do Monte e do lado direito o vale do Drave por onde andou hoje de manhã. E é deste último que advém o nome de “Garra”. Se olhar com atenção, vai reparar que a montanha está cortada por diversas linhas de água profundas que lembram os dedos de uma garra de ave.

Uma vez atravessado o Portal do Inferno e Garra, deixará para trás a Serra da Freita e o Arouca Geopark. Contudo ainda não chegou a hora de colocar um ponto final neste nosso roteiro. É que, mesmo ao lado do Portal do Inferno e Garra, em pleno coração do Maciço da Gralheira, existem duas aldeias de sonho e uma serra mítica à espera de serem exploradas.

Posto isto, siga viagem até à Serra de São Macário, mais concretamente até à aldeia de Covas do Monte. As melhores palavras que definem Covas do Monte são beleza e autenticidade. A maioria das pessoas desta pequena aldeia de xisto ainda vive da agricultura e pastorícia em total harmonia com a natureza, criando um retrato do Portugal rural, cada vez mais raro nos dias que correm. Escutar os ecos dos chamamentos dos pastores na serra e assistir ao regresso a casa das vacas que durante o dia vagueiam pelos vales e montanhas, está entre as melhores recordações que temos destas paragens.

Covas do Monte visitada rume até à vizinha Aldeia da Pena, uma das finalistas das 7 Maravilhas de Portugal na categoria de Aldeias Remotas. E acredite que foi mesmo muito bem nomeada. A Pena fica aninhada mesmo no sopé de sumptuosas montanhas e para lá chegar é preciso descer uma sinuosa estrada onde, apesar de ter dois sentidos, só permite passar um carro de cada vez. A aldeia está tão escondida nas profundezas do vale que no inverno só tem três horas de sol.

Chegar lá é uma verdadeira aventura, mas vai ver que, como dizem os locais, vale mesmo muito a pena ir à Pena. É que para além de poder passear pelas suas genuínas ruelas e apreciar as suas castiças casas de xisto poderá ainda percorrer um troço do “ Caminho do morto que matou o vivo” e partir à descoberta da Livraria da Pena, um curioso geossítio composto por imponentes fragas de estratos quartzíticos, que se encontram de tal forma verticalizados, que fazem lembrar gigantescos livros em exposição.

Caminho do morto que matou o vivo

O “caminho do morto que matou o vivo” é um trilho com cerca de 3,5 km que liga a aldeia da Pena à aldeia de Covas do Rio. Outrora, quando ainda não existia cemitério na Pena, todos os finados tinham de empreender uma última viagem até Covas do Rio para aí serem sepultados. Reza a lenda que numa dessas viagens o caixão soltou-se e matou um dos seus carregadores. Daí o nome com o qual foi batizado este caminho.

Agora sim, o nosso roteiro pelo Arouca Geopark (e arredores) está mesmo a chegar ao fim. E para terminar em alta, nada como ir até ao alto da Serra de São Macário para visitar as duas ermidas de São Macário (erguidas em memória de um eremita que ganhou fama de santo) e para disfrutar de um fantástico pôr-do-sol com a Serra de Montemuro, Freita, Caramulo e Serra da Estrela a debruarem o horizonte.

Dica VagaMundos: se ficar para o pôr-do-sol, e não lhe apetecer rumar a casa de noite, recomendamos a que pernoite nas vizinhas termas de São Pedro do Sul, aproveitando assim para mimar o corpo depois da enorme aventura pela Serra da Freita e Arouca Geopark. Você merece!

Mapa do 3º dia do Roteiro da Serra da Freita


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Dicas para acrescentar (ainda) mais um dia ao seu roteiro pela Serra da Freita e Arouca Geopark

Se quiser esticar em mais um dia a sua viagem pela Serra da Freita e Arouca Geopark, sugerimos uma visita à vertente sul da Serra da Freita, nos concelhos de São Pedro do Sul e Vale de Cambra. Entre os muitos locais de interesse que pode visitar, destacamos a Aldeia da Lomba, de onde arranca um curto trilho até à paradisíaca Cascata das Porqueiras, a aldeia de Manhouce e os deslumbrantes poços naturais que ficam nos seus arredores.

Roteiro para visitar a Serra da Freita e o Arouca Geopark em 2 dias

Se só tem 2 dias para visitar a Serra da Freita e o Arouca Geopark, vai ter naturalmente de abdicar de visitar alguns dos pontos de interesse ou atividades que descrevemos atrás. De forma a maximizar o tempo disponível para as visitas, o ideal é dormir em localidades diferentes

Pode sempre optar por cortar os dois percursos pedestres que incluímos no roteiro de 3 dias pela Serra da Freita e Arouca Geopark (Passadiços do Paiva e Drave) ou por condensar o roteiro de 3 dias em 2, mas vai passar demasiado tempo na estrada e pouco tempo nos locais de interesse.

Abaixo encontra a nossa sugestão de roteiro para 2 dias, podendo ler acima a respetiva descrição dos locais de interesse no roteiro de 3 dias para visitar a Serra da Freita e o Arouca Geopark.

Dia 1


Arouca – Passadiços do Paiva – Panorâmica do Detrelo da Malhada – Planalto da Serra da Freita – Pedras Boroas do Junqueiro – Miradouro São Pedro Velho – Miradouro da Frecha da Mizarela


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Dia 2


Mizarela – Parque Fluvial de Albergaria da Serra – Pedras Parideiras – Radar Meteorológico de Arouca – Regoufe – Drave – Minas de Regoufe – Portal do Inferno e Garra


Mapa Roteiro para visitar Serra da Freita e Arouca Geopark em 2 dias


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Onde comer na Serra da Freita e Arouca Geopark – Restaurantes

Arouca marca pontos na hora de nos sentarmos à mesa. A gastronomia local, onde brilha a famosa Posta Arouquense, é uma das melhores de Portugal. Mas as tentações gastronómicas não se ficam por aí.

A bela da Posta Arouquense do Parlamento

Há ainda o Bife à Alvarenga, os Rojões com Castanhas, o Arroz de Fumeiro, o Cabrito no Forno e um Bacalhau com Broa que figura entre os melhores que já degustamos. E se é doceiro, não há santo que o salve, pois os doces conventuais de Arouca são uma verdadeira perdição. Abaixo encontra os nossos restaurantes favoritos para degustar estas (e outras iguarias). E não se preocupe com os excessos serranos pois não há calorias que os trilhos da Serra da Freita e do Arouca Geopark não consigam abater.

Parlamento

O nosso prato de eleição em Arouca é a majestosa Posta à Arouquesa. E a nossa favorita é a do restaurante Parlamento. A carne é tão tenra que se corta como manteiga e quase derrete na boca. O Arroz de Fumeiro que acompanha, é de comer e chorar por mais. E se a comida aconchega, o espaço cuidado e atendimento personalizado encantam. Só de escrevermos estas linhas já estamos de água na boca…

Pedestre 142

O nome deste restaurante foi inspirado nos percursos pedestres do Arouca Geopark e bem que precisamos deles depois de um repasto no Pedestre 142. Comece a sua “caminhada” com uma Tábua Serra da Freita, avance sem medo para uma Costeleta de Vaca Arouquesa ou um Bacalhau à Lagareiro e se ainda tiver “força nas pernas” termine o seu “trilho gastronómico” com um Pudim Abade de Priscos. Vai ver que ninguém se vai cortar a este percurso pedestre!

Casa dos Doces Conventuais de Arouca

Esta pastelaria arouquense é a grande responsável pela maioria dos pecados da gula de toda a região. Entre as Castanhas Doces, os Charutos de Amêndoa, as Barrigas de Freira e as Pedras Parideiras venha o diabo e escolha. Não é à toa que está localizada mesmo em frente ao Mosteiro de Arouca. É que, depois disto, uma pessoa tem de se penitenciar.

Casa no Campo

A Casa no Campo fica situada na pacata aldeia do Espinheiro, na encosta da Serra da Freita, e bem que compensa a curta viagem desde Arouca. O espaço do restaurante, que foi outrora um palheiro é muito agradável, mas aquilo que nos motiva a percorrer os dez quilómetros que separam Espinheiro do centro de Arouca, é mesmo a deliciosa Vitela Assada no forno de lenha com batatinha a murro, o Bacalhau com Broa ou os Rojões com Castanhas.

Restaurante Mira Freita

Outro dos nossos restaurantes de eleição da região é o Mira Freita. O espaço é super acolhedor e a comida caseira com sabores serranos é do melhor que encontra por estas paragens. Se optar pelo cabrito ou pelo famoso Cozido da Velha, é aposta ganha. Infelizmente, a matemática é que (nem sempre) está à altura da excelência da cozinha, por isso, dê uma ajuda na hora de somar a conta.

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