Visitar o Soajo e os seus Espigueiros: o que ver e fazer

Visitar Soajo e Espigueiros - o que ver e fazer

Num cenário natural único e deslumbrante do Parque Nacional da Peneda-Gerês, abriga-se a Aldeia do Soajo, uma das Aldeias de Portugal que deve visitar. Soajo tem património, beleza paisagística e tradições que vai querer descobrir. Uma aldeia-escola, uma lição das nossas raízes mais populares.

Ruelas do SoajoÉ lugar de paragem obrigatório em qualquer roteiro pelo Gerês e merece a pena que lhe dedique umas horas do seu tempo, ou quiçá um fim de semana alojando-se numa casa de turismo rural, para relaxar neste ambiente rural de paz e silêncio natural.

Povoação milenar pertencente ao concelho de Arcos de Valdevez, distrito de Viana do Castelo, em plena zona montanhosa do Gerês, na Serra do Soajo (muitas vezes confundida como Serra da Peneda) que deu nome à povoação. Está a escassos quilómetros de Braga, Viana do Castelo e Porto. Faz parte a zona raiana da nossa fronteira com Espanha e Castro Laboreiro em Melgaço, fica-lhe a norte.

Espigueiros do SoajoO Soajo é um destino perfeito para um passeio de família, uma escapadinha romântica ou uma saída de amigos. Vai passar um dia diferente num contexto mais rural, envolvido por belezas naturais e com património cultural e arquitetónico que faz parte da identidade portuguesa.

Como chegar ao Soajo no concelho de Arcos de Valdevez?

Distância e direções entre o Soajo e:

  • Braga: 58km | 1:15h | N101 até Ponte da Barca; N203 até Paradamonte; M530 até Soajo
  • Porto: 111km | 1:45h | A3 até Braga (siga as direções indicadas em cima)
  • Viana do Castelo: 68km | 1h | A27 e IC28 até Ponte da Barca; optar pela N202 passando ao largo de Arcos de Valdevez ou N203 + M530

Mapa dos Principais Pontos de Interesse do Soajo


Clique no canto superior direito para aumentar o mapa da Aldeia do Soajo

O que ver e fazer no Soajo?

Espigueiros do Soajo

São os 24 espigueiros a razão porque cada vez mais pessoas querem visitar o Soajo. Foi também a principal motivação da nossa visita. Estes “celeiros” de milho sempre nos encantaram, e poder vê-los era vontade de há muito tempo.

As eiras comunitárias no Minho são um traço cultural da vivência comunal local. No Soajo, o Eido do Penedo (fica na Estrada dos Espigueiros, a M530) acolhe estas construções de pedra granítica, o mais antigo datando de 1782, os restantes feitos ao longo do séculos XVIII e XIX. Sempre coroadas com uma cruz no alto, como pedidos de proteção divina, sinal evidente da sacralização destes armazéns cruciais para a vida. As “rodas” na base serviam para evitar que os roedores estragassem o sustento das famílias, para muitas delas o único meio de sobrevivência.

Do seu lugar altivo, com vistas para os montes e serras, para uma natureza imaculada e dum verde luxuriante que caracteriza esta região do Alto Minho, os espigueiros parecem vigiar a placidez e tranquilidade do lugar, e são ainda hoje utilizados por quem resiste às agruras da vida.

O maior aglomerado de espigueiros está em Lindoso. São cerca de 60 e estão a 20 minutos de distância. Clique para ler o nosso artigo e saber o que visitar em Lindoso.

Pelourinho do Soajo

Pelourinho do SoajoSe bem que visitar o Soajo se justificasse pelos espigueiros, não nos ficámos por aqui. Descemos à aldeia, à paz duma terra que conseguiu a proeza de parar o tempo, às ruas pavimentadas de lajes graníticas, às casas de maciços blocos de granito – se bem que algumas já modernizadas e transformadas em alojamento rural. No emaranhado de ruelas muito estreitas lá demos com o surpreendente centro da terra.

E surpreendente porque nunca vimos um igual em todo o Portugal. Sim, a igreja matriz, o pelourinho, algumas das casas “nobres” (porque à nobreza só lhe era permitido pôr aqui o pé de passagem), o edifício da junta e o “café central” estão todos à volta do Largo do Eiró – mas o que tem de igual, tem também de único.

Soajo até já foi vila e sede de concelho e vivia em regime comunitário. Era dona de si mesma, com leis próprias, gente irredutível que elegia o seu juíz dentre os homens-bons, dos quais o Ti Sarramalho ainda faz estas gentes dar à língua para contar uma boa história. Nota-se emancipação especialmente no seu pelourinho. Não há ornamentação para além duma face humana e uma pedra com 3 pontas a fazer de “chapéu”. A norma não era esta, tinha que ter elementos religiosos e ferros cruzados – para exemplo de condenação máxima, morte por enforcamento. Alguns estudiosos justificam a rebeldia como uma afirmação local clara de autonomia. Não se sabe ao certo mas podemos teorizar.

O que não é teoria é que a Serra do Soajo foi das primeiras Montarias Reais implementadas no Gerês. Isto porque a caça era uma atividade dominantes e os “monteiros”, exímios caçadores fiéis guardiões do couto, garantiam a segurança das gentes locais e o equilíbrio do ecossistema. Gente irredutível esta. A arquitetura rural e popular caracteriza esta aldeia onde ainda resistem variados cruzeiros, as brandas e inverneiras – sistema de transumância – e fojos dos lobos.

Igreja matriz de São Martinho de Soajo

O padroeiro é São Martinho e a paróquia tem na Igreja Matriz de São Martinho de Soajo, com escadório exterior em cantaria e torre sineira adossada, outro emblema de tradição: a devocional. Como não podia deixar de ser, a 11 de Novembro a devoção ao padroeiro é motivo de celebração – para além da religiosa, as rusgas também fazem parte da festa.

Mas é em agosto, antes da Assunção de Nossa Senhora, que a folia minhota toma as ruas de assalto. Aliás, são as festas religiosas que motivam as grandes festas das aldeias e dos lugares que lhe pertencem. Curiosidade: conhecem o ancestral pedido de socorro “aqui d’el Rei!”? Pois bem, tem lugar e fica algures no Soajo.

Por trás da Igreja fica uma padaria cujo “prato” forte é o Pão-de-Ló do Soajo. Não podemos validar a sua fama como delícia da terra porque encontrámos as portas cerradas, mas fica aqui a referência.

A norte da aldeia está a calçada medieval que pode ser interessante para quem aprecia a natureza como nós, para verem os campos de cultivo, os carvalhais e as encostas dos montes verdes. Pergunte as direções a alguém da terra para quebrar o gelo e assim poder puxar por umas histórias castiças.

Porta do Mezio

A pouco mais de 10 minutos de carro do Soajo, fica a Porta do Mezio uma das portas de entrada no Parque Nacional Peneda-Gerês. Há trilhos muito interessantes nesta região, como o trilho dos Romeiros da Peneda – PR2N, e na Porta do Mezio podem-lhe dar toda a informação e indicações. O destaque vai também para o Núcleo Megalítico do Mezio constituído por uma dezena de monumentos megalíticos. Coroado pela Anta do Mezio, um túmulo pré-histórico com cerca de 5000 anos mas encontram-se mais exemplos na região, pergunte pelas Antas da Serra do Soajo. Mesmo perto fica a Estação Arqueológica do Gião que reúne um conjunto de notáveis manifestações de arte rupestre. E pode sempre descansar no Parque de Merendas com muita sombra para desfrutar dum picnic familiar ou de amigos.

Poço Negro

A pouco menos dum quilómetro dos espigueiros, há uma placa quase impercetível na estrada que indica Poço Negro. Arriscámos a paragem numa zona onde havia carros estacionados. A descida é íngreme mas faz-se por uma escadaria segura. Lá no fundo, junto ao rio, está um poço que convida a banhos e mergulhos. Chamam-lhe o Poço Negro por causa da profundidade e por ficar num lugar escondido, até do sol. O espaço para toalha é escasso e descobrir poiso nos barrocos de granito não é tarefa fácil. Mas não deixa de ser um espaço muito agradável: um segredo bem guardado deste Gerês que nos roubou o coração.

Dica: se gosta de locais paradisíacos como o Poço Negro não deixe de ler o nosso artigo sobre as Cascatas mais bonitas do Gerês.

Saber ao Borralho

Uma das coisas que mais nos emocionou foi descobrir o quão central o borralho foi na vida das gentes desta região. Ambos temos um passado com raízes em aldeias rurais, as aldeias dos nossos avós, e o braseiro era o aquecedor daqueles tempos. Central na sala e central na vida da família. No Soajo era à volta da lareira que velhos passavam o “saber ao borralho” aos novos, que se contavam as coscuvilhices da aldeia, que se davam as novidades dos entes queridos emigrados, e resolviam os problemas da casa e da família. As partilhas eram resolvidas ao borralho e os chefes de família faziam os “casamentos de borralho”.

Esta tradição dá nome a um afamado restaurante do Soajo, mas ao vermos os preços praticados, seguimos para Ponte de Barca.

Gastronomia e Artesanato do Soajo

Como região minhota, salientam-se os produtos de fumeiro, os enchidos e presuntos, e o queijo de cachena, vaca de porte pequeno, mais ágil e resistente, típica das zonas montanhosas do Gerês. A posta de cachena tem muita fama, normalmente se acompanhada dum feijão terrestre, típico daqui. A Laranja de Ermelo é também famosa pelas suas características distintas. O mel e as compotas satisfazem os doceiros.

No artesanato predominam os trabalhos em madeira, os bordados e bainhas abertas, a tecelagem do linho e da lã, e a confeção de trajes regionais.

Onde dormir no Soajo?

O alojamento em Soajo é predominantemente rural. Uma excelente oportunidade de alugar uma casa de férias com total privacidade e pela experiência de viver numa casa castiça. Reserve com antecedência e se pretende ir na época alta do verão fica avisado que os preços são bem mais puxados. Tenha em atenção as condições de cancelamento do alojamento que reservar.

Casa de Bairros

Um quarto, uma cozinha equipada, um terraço, uma televisão. É o que basta para uma estadia de lazer no Soajo, sem preocupações. A Casa de Bairros tem ar condicionado e acesso Wi-Fi gratuito. Ideal para casais. Não inclui pequeno-almoço.

Casa de RioBom

Desfrutar dum pátio com vistas para as montanhas do Gerês, que lhe parece? A Casa de RioBom disponibiliza-lhe isso numa casa de campo com 2 quartos, uma kitchenette totalmente equipada, uma área de refeições e uma televisão de ecrã plano. Pequeno-almoço continental excecional incluído. Aloja até 4 pessoas.

Casa Rautau

Aqui o elemento diferenciador é o churrasco – e o borralho. A Casa Rautau tem conforto traduzido em 2 quartos, cozinha e área de estar e varanda. E no terraço pode apanhar banhos de sol. Para um casal com 2 filhos ou grupos de 4 amigos. Não inclui pequeno almoço.

Casas do Cavaleiro da Eira

Se o seu grupo for de 6, então as Casas do Cavaleiro da Eira têm o que o grupo precisa. As Casas do Cavaleiro Eira têm vistas para a montanha, um terraço e acesso Wi-Fi gratuito. Cada um dos 3 quartos tem varanda e uma casa de banho privada. Disponibilizam um micro-ondas, uma torradeira e uma máquina de café. Já mencionamos que também tem bicicletas gratuitas? Os hóspedes desta casa de campo podem desfrutar dum pequeno-almoço continental excecional.

Casa das Videiras

É uma das casas mais antigas do Soajo, carregada de história. Independentemente de ser 1 ou 6, alojar-se na Casa das Videiras garante que fica com a casa só para si. Todas a comodidades para uma estadia relaxante e descontraída.

Casa de Pereiró

A Casa de Pereiró é a mana mais jovem da anterior, gerida pelas mesmas pessoas. Recebe até 4 pessoas e a filosofia é a mesma: a casa é reservada por inteiro.

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